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Votação do projeto Escola Sem Partido tumultua Câmara Municipal de SP

Com guardas civis, equipados com escudos e capacetes, dividindo as galerias do plenário da Câmara Municipal, vereadores de São Paulo colocaram em discussão na tarde desta quinta-feira, 7, o projeto que institui a Escola Sem Partido na rede municipal de educação da cidade, após lideranças da Casa passarem a manhã sendo alvo de postagens de grupos favoráveis à medida, especialmente o Movimento Brasil Livre (MBL). Entre tumultos e ameaças de esvaziamento do auditório, o projeto teve a votação suspensa depois de ação dos vereadores da Comissão de Educação da Câmara, que não deram quórum para a discussão prosseguir.

Foi a primeira vez neste ano em que foi necessário o uso da “Tropa de Choque” (a Inspetoria de Operações Especiais) da Guarda Civil Metropolitana (GCM) na Câmara Municipal, segundo a presidência da Casa. Os guardas e seus escudos dividiram o plenário, ocupado no lado esquerdo por ativistas da União da Juventude Socialista e pelo MBL e o Direita São Paulo no lado direito.

A Escola Sem Partido é um projeto dos vereadores Eduardo Tuma (PSDB) e Fernando Holiday (DEM), membro do MBL. O texto prevê que o professor de sala de aula “deverá abster-se de introduzir, em disciplina obrigatória, conteúdos que possam estar em conflito com as convicções morais dos estudantes ou de seus pais”, entre outros quatro deveres. Ele conta com assinatura de outros 15 parlamentares.

O texto entrou em discussão apesar de não estar na pauta da Câmara nesta tarde – havia 194 projetos de vereadores e do Executivo. Nesta semana, após a votação do projeto de privatização do Anhembi, os parlamentares haviam programado votar projetos de vereadores.

Mesmo assim, pelas redes sociais, desde a noite desta quarta-feira, 6, Holiday e o MBL vinham convocando seus militantes para participar da votação nesta quinta. Chegaram a compartilhar fotos do presidente da Câmara, Milton Leite (DEM), do mesmo partido de Holiday, chamando-o de “presidente covarde” e pedindo “pressão nele”.

Da mesma forma, grupos de esquerda passaram a convocar militares para também ir na Câmara, se manifestar contra a proposta – a metade que eles ocuparam ficou lotada mais cedo. Antes de o plenário abrir, os dois grupos trocaram provocações: buscavam “entrevistar” os adversários, com celulares nas mãos, para postar vídeos nas redes sociais. Até as 18h30, não havia ocorrido nenhuma troca de agressões.

“Lá (onde estudo) é um cursinho pago, pago para estudar lá e sou humilhada pelo meu professor que fala que todo mundo que vota no (Jair) Bolsonaro é um filho da puta”, disse a estudante Tamires de Paula, de 22 anos, com camiseta do deputado federal fluminense do PSC. “Esses caras estão falando que é lei da mordaça? Lei da mordaça é o cacete”, afirmou ela, que é moradora da capital paulista. “Se você pega a educação, hoje, as pessoas só sabem falar do (ex-presidente cubano) Fidel (Castro, morto em 2016). Se você fala do outro lado, as pessoas não sabem.”

Do outro lado, a economista Lolita Sala, de 56 anos, afirmou ter ido à Câmara para evitar que a aprovação do projeto pudesse criar algum instrumento que facilitasse perseguições a professores.

“O nome ‘Escola Sem Partido’ é um nome falacioso para um projeto que não quer que as escolas sejam sem partido. O que eles querem é que as escolas não tenham partidos de esquerda e que não tenham discussões políticas de nenhum tipo”, afirmou Lolita. “Ninguém quer que as escolas querem tenham um único partido, queremos senso crítico”, completou.

 

Fonte original: http://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,votacao-do-projeto-escola-sem-partido-tumultua-camara-municipal-de-sp,70002112142

USP estima déficit pelo 5º ano e vagas para técnicos devem ficar congeladas

Ainda debilitada por uma grave crise financeira, a Universidade de São Paulo (USP) prevê um déficit de R$ 287,6 milhões em 2018. É o quinto ano consecutivo em que a instituição já estima gastar mais do que recebe ao formular seu orçamento. Para equilibrar as contas, a reitoria ainda defende manter suspensas no ano que vem as admissões de servidores técnico-administrativos. As contratações para a categoria estão congeladas desde 2014.

As previsões estão em documento com as diretrizes orçamentárias distribuído a membros do Conselho Universitário (CO), instância máxima da USP. Essa proposta será votada nesta terça-feira, 21. A saúde financeira da USP será um dos principais desafios do novo reitor, Vahan Agopyan. O orçamento total previsto para o ano que vem é de R$ 5,177 bilhões. É praticamente igual ao montante inicialmente estimado para 2017, se aplicada a inflação do período.

A principal fonte de verba da USP é uma cota da arrecadação paulista do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Com a piora da economia, esse recurso despencou nos últimos quatro anos.

Após três recentes rodadas de planos de demissão voluntária para reduzir a folha salarial, o objetivo é manter congeladas as contratações de técnicos. Por outro lado, a reitoria prevê contratar 150 professores, “dependendo do comportamento da arrecadação do ICMS”. Com aposentadorias e desligamentos sem reposição desde o início da crise na USP, diretores de faculdades têm apontado a necessidade de preencher vagas.

Para cobrir o rombo, será necessário usar verba da reserva bancária, como tem sido feito nos últimos anos. Entre dezembro de 2017 e o fim de 2018, essa poupança deve recuar de R$ 382,4 milhões para R$ 24,8 milhões. Há cinco anos, esse saldo era superior a R$ 3 bilhões.

Futuro. Em janeiro, Agopyan, atual vice-reitor, assume o comando da USP. Ele promete manter a política de rigor financeiro do atual dirigente, o médico Marco Antonio Zago. Entre as propostas de Agopyan, também está diversificar fontes de receita da instituição – oferecer, por exemplo, apoio técnico na formulação de políticas públicas e ser ressarcida por isso. “Temos de ser mais proativos”, disse ele ao Estado na semana passada, quando foi escolhido para o cargo.

Procurada nesta segunda-feira, 20, a reitoria informou que se manifestaria somente após a reunião do CO. Neste encontro, serão discutidas as diretrizes para o orçamento. A proposta final será definida em dezembro.

 

Fonte original: http://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,usp-estima-deficit-pelo-5-ano-e-vagas-para-tecnicos-devem-ficar-congeladas,70002091349

Unicamp 2018: 1ª fase aborda feminismo, tragédia em Mariana, ‘Brexit’ e economia brasileira

prova da primeira fase do vestibular da Unicamp neste domingo (19) abordou feminismo, voltou a falar sobre a tragédia em Mariana (MG), e pontuou racismo e ditadura na América do Sul entre os temas nas 90 questões de múltipla escolha. Os candidatos começaram a deixar os locais de prova após três horas e meia do início do exame. Ao todo 83,7 mil inscritos no Brasil disputam 3.340 vagas em 70 opções de cursos de graduação em Campinas (SP).

Outros temas abordados foram “Brexit”, como é chamada a saída do Reino Unido da União Europeia, e também a saída dos EUA do acordo de Paris. A economia brasileira no início dos anos 2000 não ficou de fora.

De acordo com o coordenador da Comissão Permanente para os Vestibulares da unicamp (Comvest), José Alves de Freitas Neto, a prova valorizou a diversidade cultural e a formação do leitor crítico, que olha para o mundo, os conhecimentos científicos e os termos relevantes para a sociedade em geral e acadêmica.

A prova terminou em três estados às 18h. No Ceará ela é aplicada em Fortaleza e o término foi às 19h, pois não há horário de verão no estado. O gabarito será divulgado na quinta-feira (23) pela Comvest.

 Rodolfo Pereira Borges, professor de matemática, prestou o exame para ver como seria na área dele e disse que os temas atuais dominaram a prova. A polêmica dos gêneros também foi parte no exame.

“Trouxe bastante temas atuais, uma tirinha sobre transgênero, uma questão sobre banheiro unissex, na parte de inglês. Muitos temas sociais, racismo”, afirma. Segundo ele, a prova foi cansativa.

Andréia Freitas disputa vaga em estudos literários e ressaltou que a prova trabalhou o empoderamento feminino.

Algumas pessoas que prestaram o exame na Unicamp, no distrito de Barão Geraldo, acharam as questões de química e filosofia difíceis, e consideraram a prova de português mais fácil.

Alan Victor Machado, de 19 anos, prestou vestibular para economia e, no geral, achou a prova mais fácil do que no último ano. “Estava mais fácil que no ano passado, estou mais confiante”.

Antônio Mota, de 28, faz doutorado em economia na Unicamp e está prestando música para realizar um sonho.

“A prova se manteve na média, não foi fácil, nem difícil. Me chamou atenção cair coisas recentes sobre geopolítica, como ‘Brexit’. Em história teve questão sobre os Panteras Negras”, ressalta.

Há algum tempo sem estudar, Luiza Ricci, de 25 anos, encontrou muita dificuldade.

“A prova foi bem difícil, principalmente para mim, que estou há algum tempo sem estudar. Prestei biologia e quero a Unicamp pelos benefícios que a universidade traz para mim, com todos os projetos daqui. Física foi o mais difícil é português e literatura o mais fácil. Se eu não passar vou tentar de novo no ano que vem”, afirma.

A prova

Na primeira fase, a avaliação é formada por 90 questões de múltipla escolha: 13 de língua portuguesa e literaturas de língua portuguesa, 13 de matemática, 9 de história, 9 de geografia (inclui filosofia e sociologia), 9 de física, 9 de química, 9 de biologia, 7 de inglês e 12 interdisciplinares. Cada pergunta tem quatro alternativas.

A lista de aprovados nesta etapa, os locais de aplicação das provas da segunda fase e as notas de corte por curso serão divulgados em 11 de dezembro, informou a Comvest. Já as notas obtidas pelos candidatos na primeira etapa serão disponibilizadas pela comissão em 21 de dezembro.

Fonte original: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/unicamp-2018-1-fase-aborda-feminismo-polemica-dos-generos-e-ditadura-na-america-do-sul.ghtml

Enem com redação e exatas separadas ajudou candidatos; professores analisam pontos positivos e negativos

Separar a prova de redação e a prova de matemática foi a maior vantagem da nova ordem do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Por outro lado, segundo professores de nove cursinhos ouvidos pelo G1, o segundo dia de provas carregado de exatas e biológicas pode ter sobrecarregado os candidatos de cálculos – e até feito os estudantes de escola pública chegarem desmotivados neste domingo (12), ou até desistirem antes da hora.

A partir deste ano, o Enem adotou nova configuração: em vez de provas em dois dias consecutivos (um sábado e um domingo), elas acontecem em dois domingos, com uma semana de separação.

Além disso, a ordem das provas mudou. O primeiro dia virou “100% humanas”, com cinco horas e meia para os candidatos resolverem 45 questões de linguagens (português, língua estrangeira, artes e educação física), 45 de ciências humanas (história, geografia, sociologia e filosofia) e redigirem uma redação. Já o segundo dia teve apenas disciplinas de exatas e biológicas: 45 questões de matemática e 45 questões de ciências da natureza (física, química e biologia).

Veja abaixo as vantagens e desvantagens, de acordo com os seguintes professores:

  • Curso Anglo, São Paulo: Paulo Moraes (diretor de ensino)
  • Sistema Ari de Sá (SAS), Fortaleza: Ademar Celedônio (diretor de Ensino e Inovações Educacionais e de Ensino Educacional) e Thiago Pacífico (professor de matemática)
  • Sistema COC de Ensino, Ribeirão Preto (SP): Leonardo Nunes (professor de matemática)
  • Colégio e Vestibular de A a Z, Rio de Janeiro: Naun Faul (diretor de Ensino)
  • Curso Etapa, São Paulo: Edmilson Motta (coordenador geral)
  • Curso e Colégio Objetivo, São Paulo: Elisa Massaranduba (coordenadora pedagógica)
  • Curso e Colégio Oficina do Estudante, Campinas (SP): Celio Tasinafo (coordenador pedagógico)
  • Curso Poliedro, São Paulo: Vinicius de Carvalho Haidar (coordenador)

Vantagens

Redação e matemática separadas

Elisa Massaranduba, coordenadora pedagógica do Objetivo, diz que os professores do cursinho preferem o novo formato e são favoráveis à manutenção dele nos próximos anos. “Acredito que tenha funcionado. Os professores gostam dessa ordem, acham melhor. É bom que tudo que exija cálculo esteja junto. Não sei como foi para os alunos. Como é uma prova muito longa, inclusive com 45 testes de matemática, muitas vezes é difícil para eles fazerem dentro do tempo estipulado, porque quase todos exigem cálculo em matemática, física, e até química”, disse ela.

O principal motivo, segundo ela é ter mais tempo para a prova de redação.

“Eles têm que ter tempo para a redação. Antes, quando tinha matemática junto, eles não tinham tempo para fazer a redação. Agora têm tempo de fazer o rascunho, passar a limpo.” – Elisa Massaranduba (Objetivo)

Thiago Pacífico, professor de matemática do SAS Plataforma de Educação, disse que separar exatas da redação é positivo porque os alunos costumavam priorizar a redação e deixavam as 45 questões de matemática para o final. “Neste novo formato, o aluno pode se dedicar mais aos cálculos”, explicou.

Leonardo Nunes, do COC, concorda. Ele lembra que, no formato anterior, “a prioridade era redação, depois [o candidato] pegava aqueles textos longos [de linguagens] e, quando chegava na hora dos cálculos, começavam os chutes.”

Para Naun Faul, diretor de Ensino do Colégio e Vestibular de A a Z, “a maior vantagem foi a redação ter ido para o primeiro dia. Assim, o aluno pode se concentrar mais naquela prova que tem um maior peso no primeiro dia”. Ele diz, ainda, que a concentração de cálculos no segundo dia do Enem não fez com que as questões ficassem menos exigentes do que nos anos anteriores.

“O segundo dia continuou com nível de dificuldade elevado, com enunciados longos e interdisciplinaridade nas questões. Acho que ficou mais interessante para os alunos que têm afinidade com determinada área de conhecimento.” – Naun Faul (de A a Z)

Para Paulo Moraes, diretor de ensino do Anglo, a novidade foi benéfica ao estudante. “Percebemos que a distribuição das provas como aconteceu neste ano favoreceu o estudante, sim. A alternância entre linguagens e redação com humanas, e ciências da natureza com matemática, deixou a prova mais fluida para o estudante.”

Descanso entre os dias de prova

Para Celio Tasinafo, da Oficina do Estudante, “o maior benefício desse modelo é a semana ente a primeira e a segunda prova, acabando com a canseira dos dias seguidos”. Ele diz que os professores do cursinho aprovaram a nova ordem das provas.

O principal motivo, segundo ela é ter mais tempo para a prova de redação.

“Eles têm que ter tempo para a redação. Antes, quando tinha matemática junto, eles não tinham tempo para fazer a redação. Agora têm tempo de fazer o rascunho, passar a limpo.” – Elisa Massaranduba (Objetivo)

Thiago Pacífico, professor de matemática do SAS Plataforma de Educação, disse que separar exatas da redação é positivo porque os alunos costumavam priorizar a redação e deixavam as 45 questões de matemática para o final. “Neste novo formato, o aluno pode se dedicar mais aos cálculos”, explicou.

Leonardo Nunes, do COC, concorda. Ele lembra que, no formato anterior, “a prioridade era redação, depois [o candidato] pegava aqueles textos longos [de linguagens] e, quando chegava na hora dos cálculos, começavam os chutes.”

Para Naun Faul, diretor de Ensino do Colégio e Vestibular de A a Z, “a maior vantagem foi a redação ter ido para o primeiro dia. Assim, o aluno pode se concentrar mais naquela prova que tem um maior peso no primeiro dia”. Ele diz, ainda, que a concentração de cálculos no segundo dia do Enem não fez com que as questões ficassem menos exigentes do que nos anos anteriores.

“O segundo dia continuou com nível de dificuldade elevado, com enunciados longos e interdisciplinaridade nas questões. Acho que ficou mais interessante para os alunos que têm afinidade com determinada área de conhecimento.” – Naun Faul (de A a Z)

Para Paulo Moraes, diretor de ensino do Anglo, a novidade foi benéfica ao estudante. “Percebemos que a distribuição das provas como aconteceu neste ano favoreceu o estudante, sim. A alternância entre linguagens e redação com humanas, e ciências da natureza com matemática, deixou a prova mais fluida para o estudante.”

Descanso entre os dias de prova

Para Celio Tasinafo, da Oficina do Estudante, “o maior benefício desse modelo é a semana ente a primeira e a segunda prova, acabando com a canseira dos dias seguidos”. Ele diz que os professores do cursinho aprovaram a nova ordem das provas.

Fonte original: https://g1.globo.com/educacao/enem/2017/noticia/enem-com-redacao-e-exatas-separadas-ajudou-candidatos-professores-analisam-pontos-positivos-e-negativos.ghtml

Redução de ‘novos surdos’ e evasão explicam tema da redação do Enem

Tema da redação do Enem, o “desafio da formação educacional de surdos” foi ilustrado na prova com um gráfico indicando uma queda de matrículas entre esse público –algo que nem o Ministério da Educação soube explicar.

Agora, tabulações feitas pela Folha nos microdados do censo escolar jogam luz sobre o que de fato ocorreu. Mostrando uma redução de 23% no universo de estudantes surdos de 2011 a 2016, o gráfico dá a entender que esse público estaria deixando a escola. Mas esse é apenas um entre dois outros fatores: a queda no número de alunos que adquirem a surdez ao longo da vida e a própria transição demográfica por que passa o Brasil.

A mudança do perfil populacional atinge todo o país: com menos crianças em idade escolar, houve uma queda geral de 5% nas matrículas da educação básica de 2011 a 2016. Essa redução ocorreu entre crianças com e sem deficiência e ajuda a explicar uma parte do que está acontecendo com os surdos.

Um outro fator, porém, é específico dessa deficiência. Todos os anos, pessoas que não eram surdas perdem a audição. Desde 2012, isso ocorre cada vez menos nas escolas, segundo os registros do censo da educação básica. O levantamento é aplicado pelo Inep, instituto de pesquisas ligado ao Ministério da Educação. Nele, cada escola do país preenche um cadastro que inclui a eventual deficiência de cada aluno.

Esses dados mostram que a quantidade de alunos que antes tinham audição e, depois, passaram a ser classificados como surdos caiu 44% daquele ano para 2016.

Um fator que pode ajudar a explicar essa queda é o maior acesso a tratamentos, afirma José Ricardo Gurgel Testa, presidente da Sociedade Brasileira de Otologia.

Ele explica que grande parte dos casos de surdez adquirida é causada por infecções bacterianas, como a meningite. “Esses casos têm diminuído com o uso de medicamentos cada vez melhores e com um maior acesso da população a eles”, afirma.

Além disso, também tem se disseminado o uso de tecnologias que amplificam a audição, algo que pode interferir na forma como os portadores da deficiência são retratados no censo pelas escolas. É o caso do implante coclear, feito na parte interna da orelha.

Ele não dispensa a necessidade de atendimento especial ao aluno, já que, principalmente no início, o recém implantado enfrenta dificuldades para entender os sons.

EVASÃO

O atendimento especializado aos surdos, porém, tem falhado no Brasil, de acordo com educadores e estudantes com a deficiência. As dificuldades vão desde o professor virar as costas para o aluno que precisa de leitura labial até a falta de tradutores de Libras (Língua Brasileira de Sinais) e de material didático diversificado para esse público.

A falta de preparo das escolas para receber os alunos é apontada como um dos fatores que aumenta a evasão escolar de surdos. Para verificar o tamanho do problema, a Folha verificou a trajetória escolar de todos os alunos que tinham até 11 anos em 2011. Isso é possível porque cada estudante tem um código único no censo.

Cinco anos depois, 15% dos alunos desse grupo não estavam mais na escola. Entre os que não tinham a deficiência, o índice era de 9%

Para Martinha Clarete Dutra dos Santos, ex-diretora de políticas de educação especial do MEC, é preciso investir em formação de professores e intérpretes e mudar a cultura das escolas, acostumadas ao atendimento “padronizado”.

Em sua opinião, porém, a evasão não pode servir de pretexto para que alunos surdos voltem a ser segregados em classes exclusivas. “Historicamente, esse tipo de política sempre resultou em marginalização, e o Brasil assumiu diversos compromissos internacionais de reverter isso”, diz ela, atualmente pesquisadora da Unicamp.

DEFICIÊNCIAS

Também a partir dos dados do censo escolar, estudo feito pelo movimento Todos pela Educação mostra que a redução do número de matrículas entre 2011 e 2016 ocorreu não só entre surdos, mas também entre pessoas com deficiência auditiva (queda de 3%), surdocegos (32%), cegos (10%) e pessoas com baixa visão (8%).

O movimento vai na contramão do que ocorre com outros grupos de crianças com necessidades especiais. Entre pessoas com deficiência física, por exemplo, houve alta de 22% nas matrículas.

Uma possibilidade é que a adaptação para pessoas com deficiência física exija da escola um esforço de uma vez só: feita uma rampa ou elevador, resolve-se o problema.

Já com os demais grupos, há necessidade contínua de formação de profissionais.

Para Priscila Cruz, presidente-executiva da entidade, o país deveria aproveitar que a discussão virou centro das atenções para fazer um diagnóstico preciso da educação de pessoas com deficiência e adotar medidas específicas de formação e infraestrutura.

“Esse tem sido um tema jogado para baixo do tapete em um momento em que o país tem dificuldade de avançar em grandes médias”, diz Cruz, ressaltando a importância de saber lidar com as diferenças entre os estudantes.

Fonte original: http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2017/11/1934293-reducao-de-novos-surdos-e-evasao-explicam-tema-da-redacao-do-enem.shtml

Justiça barra regra do Enem que zera redação que viola direitos humanos

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) determinou a suspensão da regra do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para redações que desrespeitem os direitos humanos.

A decisão acolhe a ação da Associação Escola Sem Partido, que, em caráter de urgência, conseguiu que a nova diretriz valesse já para o próximo exame, previsto para os dias 5 e 12 de novembro.

A regra existe desde 2013, após a publicação das Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos. As regras, publicadas no edital, tornou obrigatório a não violação dos direitos humanos no texto.

Até então, eram consideradas violações aos direitos humanos, por exemplo, a defesa da tortura, da justiça com as próprias mãos e a incitação da violência motivada por questões de raça, gênero ou credo, entre outras, no texto a ser avaliado.

A decisão é do desembargador federal Carlos Moreira Alves e anula o item 14.9.4 do edital Enem 2017, que atribuiria nota zero às redações que “que apresente impropérios, desenhos e outras formas propositais de anulação, bem como que desrespeite os direitos humanos, que será considerada ‘anulada'”.

No pedido, a Escola Sem Partido afirma que nenhum candato deveria ser “punido ou beneficiado por expressar sua opinião”. “Não existe um referencial objetivo em relação aos parâmetros a se adotar na avaliação das propostas de intervenção para o problema abordado”, o que, segundo a associação, impõe aos candidatos o respeito ao “politicamente correto”.

Em nota do TRF1, o desembargador declara que o “conteúdo ideológico” contido na redação não deve ser “fundamento sumário para sua desconsideração, com atribuição de nota zero ao texto produzido, sem avaliação alguma em relação ao conteúdo intelectual desenvolvido pelo redator”.

Alves ainda afirma que a regra é “uma ofensa à garantia constitucional de liberdade de manifestação de pensamento e opinião, também vertente dos direitos humanos propriamente ditos”.

O que é considerado direitos humanos para o Enem

De acordo com o Manual de Redação do Enem 2017, são consideradas violações aos direitos humanos redações que contenham “defesa de tortura, mutilação, execução sumária e qualquer forma de ‘justiça com as próprias mãos'”, além da “incitação a qualquer tipo de violência motivada por questões de raça, etnia, gênero, credo, condição física, origem geográfica ou socioeconômica e explicitação de qualquer forma de discurso de ódio”.

 

Fonte original: https://www.cartacapital.com.br/sociedade/justica-barra-regra-do-enem-que-zera-redacao-que-viola-direitos-humanos

Com verba menor, institutos federais freiam expansão e recorrem a doações

Modelo de educação profissional e média no País, os institutos federais de ciência e tecnologia têm sofrido com a redução de verbas. Dos R$ 565 milhões previstos para investimento neste ano, só R$ 339,4 milhões (60%) foram liberados pelo Ministério da Educação (MEC) até o último dia 10, o que tem feito unidades deixarem de abrir vagas e cursos. Com recursos menores também para custeio, os institutos recorrem a equipamentos doados e cortes de funcionários terceirizados para manter as aulas.

Durante todo o ano de 2014, quando o MEC iniciou uma expansão dos institutos, o montante empenhado em investimentos foi bem maior, de R$ 1,38 bilhão, em valores corrigidos pela inflação. De lá para cá, o total de câmpus da rede subiu de 578 para 644 em todos os Estados do País. Segundo o MEC, somente será possível apontar queda de recursos quando os repasses do ano estiverem fechados.
No momento em que o MEC discute ampliar a educação profissional, com a reforma do ensino médio, os institutos são considerados referência e possibilidades de apoio para a oferta de ensino médio junto do técnico. Os institutos também têm cursos de graduação e de pós.
O Instituto Federal de São Paulo (IFSP) adiou – e não tem previsão para concluir – a terceira fase de expansão no interior e na região metropolitana, em cidades como Marília, Bauru e Carapicuíba. Pró-reitor de administração, Silmário da Silva explica que não foi possível construir ginásio, restaurantes e auditórios na maioria das 36 unidades. “Reduzimos o número de pessoas que fazem limpeza, vigilância, manutenção e apoio administrativo. A redução foi suficiente para fechar o ano. Mas não será para 2018, quando os contratos forem corrigidos pela inflação”, prevê.
Aluna do 3º ano do curso técnico de Informática, Rebecca dos Santos diz sentir os efeitos da crise. “Antes, limpavam os banheiros com mais frequência. E o valor da refeição no bandejão aumentou de R$ 3,50 para R$ 5 e o da bolsa para auxílio-alimentação continua o mesmo”, reclama ela, de 17 anos.

Restrições

O Instituto Federal do Rio Grande do Sul tem 17 câmpus – cinco criados há menos de três anos. “Os mais recentes foram mais afetados porque não há recurso para o investimento que havíamos previsto”, diz o reitor, Osvaldo Pinto.
É o caso do câmpus Alvorada, na Grande Porto Alegre. Era previsto abrir 1,2 mil vagas e a oferta de cursos, como o técnico de Enfermagem, uma demanda da população. Sem recurso, a unidade tem 250 alunos e a Enfermagem ainda não saiu do papel.
Maísa de Lima, de 15 anos, cursa o 1.º ano do curso técnico de Áudio e Vídeo em Alvorada. Ela diz ter encontrado estrutura melhor do que a dos colégios públicos onde estudou, mas ainda insuficiente. “Não temos alguns equipamentos básicos para uma escola, como biblioteca ou laboratório de química. Também não temos saídas de campo”, diz ela, que faz o ensino médio junto do técnico. “E o valor da bolsa de assistência estudantil, que no começo do ano era de R$ 195 foi reduzido em R$ 10.” A direção afirma ter reduzido o valor da bolsa para que mais alunos tivessem o benefício.
Na unidade, o laboratório de fotografia para os cursos técnicos e de graduação recebeu doação de equipamentos de professores. Os dois de informática também foram doados. Não há telefones fixos – só celulares institucionais para cortar custos.
Sem aval do governo para abrir concurso, o câmpus Colinas do Instituto Federal do Tocantins lançou, em julho, edital para docentes voluntários. Cinco técnicos da unidade foram selecionados para dar aula de Biologia e Matemática no ensino médio. “São servidores com ótima qualificação, alguns com mestrado.” Eles mantêm o salário de técnico, mas não receberão pelas classes.
Quando o câmpus foi criado, a previsão era ter 1,4 mil alunos até 2019. Com o orçamento apertado, a direção diz que, no melhor cenário, chegarão a 800 matrículas. “Tínhamos planejado abrir um curso de Agronomia para o início de 2017, mas não tivemos recursos”, afirma Paulo Hernandes da Silva, diretor da unidade, a 283 quilômetros de Palmas.
Fonte original: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2017/10/18/internas_polbraeco,634459/com-verba-menor-institutos-federais-freiam-expansao-e-recorrem-a-doac.shtml

TSE lança projeto “Partiu Mudar” nesta quinta-feira (19)

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fará nesta quinta-feira (19), às 8h30, no auditório 3, o lançamento do projeto “Partiu Mudar – Educação para a Cidadania Democrática no Ensino Médio”, parceria entre a Justiça Eleitoral, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e as Escolas Judiciárias Eleitorais (EJEs)

Participarão do lançamento o presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, o diretor da EJE, Fábio Quintas, o diretor da EJE/TRE-DF, desembargador Carlos Rodrigues, representantes do Unicef, o secretário de educação do Distrito Federal Júlio Gregório Filho e estudantes de escolas de Brasília.

O projeto tem como objetivo contribuir para suprir a lacuna de educação política de jovens com idades entre 14 e 18 anos. A ideia é trabalhar educação para a cidadania com os alunos do ensino médio de escolas públicas e privadas para ampliar a discussão, não apenas sobre o jovem eleitor, mas também sobre democracia, sistemas políticos, minorias, o papel da mídia, dentre outros temas.

Dessa forma, o projeto #partiumudar será lançado por meio da disponibilização de um website criado especificamente para esse fim, que funciona como base on-line de iniciativas e conteúdos voltados para a educação política.

Atualmente, o portal conta com: vídeos, imagens, guia do professor, guia do programa Eleitor do Futuro, espaço para enquetes, bancos de boas práticas (de alunos e professores), notícias e espaço para diálogo com o TSE e com demais parceiros do projeto, operado pela Ouvidoria do TSE.

As primeiras ações de implementação do projeto serão realizadas no TSE, com a assinatura do Acordo de Cooperação entre o TSE, o TRE-DF e a Secretaria de Educação do Distrito Federal, e também no Paraná, em Minas Gerais, no Rio Grande do Sul e na Bahia.

 

Fonte original: http://blogs.correiobraziliense.com.br/servidor/tse-lanca-projeto-partiu-mudar-nesta-quinta-feira-19/

‘Não fede, nem cheira’: o divórcio de parte da classe média com a arte

Em seu texto de apresentação da exposição Histórias da Sexualidade, aberta ao público a partir desta sexta-feira 20, o Museu de Arte de São Paulo (Masp) adota um tom assertivo para defender a mostra de possíveis ataques.

Quando a instituição menciona episódios recentes ocorridos no Brasil e no mundo que trouxeram à tona “questões relativas à sexualidade e aos limites entre direitos individuais e liberdade de expressão”, subentende-se a fúria despertada em parte da classe média por uma mostra LGBT e uma performance no Museu de Arte talisador da revolta contra as atrações artísticas, atacou a primeira pela ausência de uma classificação indicativa e pelo uso de recursos públicos da Lei Rouanet para expor obras que estimulavam, segundo a organização, a zoofilia e a pedofilia. No caso da performance, o grupo fez campanha contra o MAM após uma menina ser filmada acompanhada da mãe enquanto tocava no pé do bailarino Wagner Schwartz, que se apresentava nu.

Concebida há dois anos, Histórias da Sexualidade reúne 300 obras em diversos núcleos temáticos, entre eles jogos sexuais, voyeurismos e, como não podia faltar, corpos nus. Em sua página no Facebook, o MBL deu sinais de que não fará grande barulho contra a mostra.

O movimento reproduziu um texto do site Ceticismo Político, uma de suas fontes frequentes, com o título “Masp recua e não vai exibir exposição pornô para crianças”, em referencia ao fato de o museu ter adotado a classificação indicativa de 18 anos. Na publicação, a organização reproduziu o texto do site: “Se não tiver exposição para crianças e se não tiver dinheiro da Lei Rouanet, essa mostra entra na categoria ‘não fede nem cheira’”.

Nesse caso, a indiferença pode ser mais sintomática que a fúria. O movimento trata com desprezo uma mostra que reúne obras de Francis Bacon, Edgar Degas, Édouard Manet, Pablo Picasso e Paul Gauguin, nomes presentes em qualquer simplório manual de história da arte. Se “não fede, nem cheira”, não se trata apenas das supostas depravações serem financiadas com recursos públicos ou disponíveis ao acesso das crianças. Os episódios recentes demonstram que própria arte não parece ter grande valor para uma parte significativa da classe media.

Não se trata de um fenômeno local. O jornalista norte-americano Scott Timberg já havia diagnosticado no livro Culture Crash (a Crise da Cultura, em tradução livre) a separação violenta entre a classe artística e a classe média nos Estados Unidos, pouco antes de a eleição de Donald Trump confirmar o divórcio.

O livro busca analisar os impactos da Crise de 2008 sobre a cadeia produtiva da cultura norte-americana. Fechamento de casas de shows e bares, de pequenas livrarias locais, de cinemas antigos, um fenômeno relacionado à gentrificação dos centros urbanos, somaram-se a demissões de jornalistas culturais das principais redações, caso de Timberg.

Na outra ponta, a reformulação protagonizada por grandes players como Apple, Google e Netflix, que dominam grande parte do atual mercado cultural, desempregou inúmeros vendedores de discos, “roadies”, curadores, entre tantos intermediários fundamentais para a sobrevivência e a difusão da classe artística. O autor defende que há uma grande concentração de capital cultural que estimula o desinteresse crescente por manifestações de vanguarda ou até mesmo pela história da arte.

Em seu capítulo final, Timberg faz uma interessante reflexão sobre os motivos para a arte “não feder nem cheirar” para grande parte da classe média. O autor recupera o termo middlebrow, um conceito cunhado nos 1920 sobre a cultura de uma parte da sociedade que está disposta a pequenos esforços intelectuais e procura conhecimento sobre arte como forma de prestígio.

Embora ridicularizada por intelectuais e artistas, essa parcela da sociedade, diz Timberg, tinha um importante papel para a cultura. Ela garantia a formação de um mercado próprio, voltado a difundir a arte e sua história de modo palatável, em forma de revistas, manuais de arte e documentários televisivos.

Timberg sugere que é dever da classe artística e cultural aproximar-se dessa camada intermediária da população. E isso não significa ser comercial. “Significa despertar a paixão nos estudantes de escolas e universidades. Significa a mídia conectar-se a algo além de ‘transgressão’ e luxo. Significa acadêmicos se importando com o destino de seus discursos para além dos muros da instituição”, escreve.

A reflexão de Timberg torna-se ainda mais aguda sob o ângulo brasileiro. Embora os recentes ataques à liberdade artística, inclusive com violência física, sejam condenáveis, os episódios permitem àqueles que trabalham com cultura uma reflexão sobre sua dificuldade em dialogar com uma grande parte das camadas intermediárias, cada vez menos abertas à alteridade.

“Para fazer as coisas funcionarem novamente, a classe criativa precisa reconhecer que é parte da classe média, e precisamos lutar pela sobrevivência de ambas”, afirma Timberg a CartaCapital. O autor lembra que as escolas nos EUA têm cortado artes e cultura de sua grade, uma realidade comum no Brasil. “As sociedades decidem o que é importante para elas, e em grande parte do mundo a cultura tem sido abandonada.”

O livro de Timberg ajuda a explicar por que o financiamento de projetos pela Lei Rouanetsão alvos da ira de tantos brasileiros: há grande desinteresse por espetáculos e mostras. Uma pesquisa da Fecomércio-RJ do ano passado indicou que 56% frequentaram pelo menos uma atividade cultural nos últimos 12 meses, ou seja, o restante não foi a uma exposição, show ou peça sequer. Na ocasião, a televisão foi mencionada como principal programa cultural.

É provável que as redes sociais já desempenhem papel quase ou tão importante no tempo livre dos brasileiros, um espaço onde a arte para muitos realmente “não fede, nem cheira”. Timberg chega a propor, em uma formulação semelhante à do economista Thomas Piketty, uma revisão na tributação para incentivar a reinvenção do ensino da arte nas escolas e universidades norte-americanas e aumentar o investimento em espaços públicos para sua difusão.

É certamente um pensamento utópico para o Brasil atual, que sequer consegue ter impostos sobre fortunas e heranças próximos da média mundial. Também não encontraria ressonância alguma entre aqueles que defendem o fim dos incentivos fiscais da cultura, mas não propõem alternativas para seu financiamento.

O divórcio entre a arte de vanguarda e a classe média talvez seja passageiro, mas ele jamais revelou-se tão presente. Para superar essa falta de comunicação, cabe aos artistas e intermediários culturais também se mobilizarem para suas mensagens, vanguardistas ou comerciais, superarem os limites de seus próprios muros.

 

 

Fonte original: https://www.cartacapital.com.br/cultura/nao-fede-nem-cheira-o-divorcio-de-parte-da-classe-media-com-a-arte

Justiça proíbe que prefeitura obrigue alunos a rezar ‘Pai Nosso’

A Justiça determinou que a prefeitura de Barra Mansa, no sul fluminense, suspenda a ordem de serviço que obriga os alunos das escolas municipais a rezar o Pai Nosso, diariamente, antes do início das aulas. A decisão, tomada nesta terça-feira (17/10), pelo juiz Antônio Augusto Gonçalves Balieiro Diniz, titular da 4ª Vara Cível de Barra Mansa, deve ser cumprida em 24 horas, sob pena de multa diária no valor de R$ 10 mil.

Em 2 de outubro o secretário municipal de Educação de Barra Mansa, Vantoil de Souza Júnior, oficializou a ordem de serviço 008/2017-SME, estabelecendo procedimentos para a entoação de hinos cívicos e da oração Pai Nosso nas escolas municipais. Os alunos que não desejassem participar da oração seriam separados em outra fila para seguirem depois à sala de aula.
“Evidente que a formação de filas separadas entre crianças que seguem ou não determinada religião, dentro do mesmo ambiente escolar, para a entoação da oração ao Pai Nosso, foge por completo ao conceito de razoabilidade”, escreveu o juiz. “Por óbvio, tal ordem de serviço tem cunho separatista, fomentador de discriminação e conflito, não encontrando qualquer respaldo nos princípios da tolerância e liberdade religiosa.”
Após a decisão da Justiça, a Secretaria de Educação ainda tentou que o juiz reconsiderasse a decisão, anexando ao processo uma nova versão da ordem de serviço, alterando um parágrafo para excluir a separação dos alunos por filas e determinar o encaminhamento dos alunos que não desejassem participar da oração para as salas de aula. Mesmo assim, o magistrado considerou que a decisão fere a Constituição Federal.
“Evidente que a redação da ordem de serviço juntada pelo município de Barra Mansa é menos gravosa do que a apresentada pela parte autora. Por certo, mostra-se menos gravoso que os alunos de religiões que não entoam a oração do Pai Nosso possam se retirar do local. Ocorre que ser menos gravoso não significa, nem de longe, estar de acordo com a Carta Constitucional”, destacou.
O juiz considerou ainda que a obrigação do aluno em declarar sua religião para que possa se retirar de uma atividade religiosa diferente da sua preferência também promove o separatismo, o que deve ser evitado entre os alunos.
“A obrigatoriedade da ‘declaração de religião’ para ausentar-se do local e a própria retirada dos alunos de local público e laico mostra-se separatista, fomentadora de discriminação e conflito, não encontrando qualquer respaldo nos princípios da laicidade, tolerância e liberdade religiosa”, concluiu o juiz.