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Vandalismo durante marcha em Brasília foi provocado para incriminar Movimentos Sociais, alertam representantes do Sindijufe-MT

Após invadir Brasília numa marcha de repercussão internacional, os trabalhadores públicos e privados pensam nas próximas ações para derrotas as reformas trabalhista e previdenciária e mudar o Governo do país. Uma Greve Nacional de 48 horas começou a ser organizada pelas centrais sindicais, com a participação das entidades representativas dos Servidores do Judiciário Federal.

Ao fazer um chamado às Centrais Sindicais para que convoquem imediatamente uma Greve Geral de 48 horas nos país, a CSP-Conlutas defende que esta mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros avance em seus próximos passos. “Agora, é necessário que organizemos uma Greve Geral de 48 horas. Só com o acúmulo e fortalecimento da luta dos trabalhadores, vamos conseguir derrotar as reformas de Temer e derrubar de vez este governo”, destaca  Paulo Barela, membro da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas.

O fato marcante da semana foi a marcha do dia 24, em que 200 mil pessoas ocuparam a capital federal para barrar as reformas previdenciária e trabalhista e exigir a saída de Temer. Servidores públicos (muitos deles do Judiciário Federal), estudantes, trabalhadores rurais e sem-terra, movimentos sociais, enfim, gente de todo o país atendeu ao chamamento das centrais sindicais e participou da ocupação de Brasília.

 

Retrospectiva

A ideia das centrais sindicais era para que o ato fosse um protesto pacífico em defesa dos direitos da classe trabalhadora. Mas a marcha acabou sendo marcada pela atuação de vândalos, supostamente infiltrados, que radicalizaram a manifestação e danificaram patrimônios públicos, levando o enfraquecido presidente Michel Temer a convocar as tropas federais para conter os protestos.

O governo usou a força da Policial Militar e as Forças Armadas para reprimir os manifestantes, além de bloquear a entrada da Praça dos Três Poderes. Alguns militares chegaram a usar arma letal e não respeitaram nem mesmo os idosos e crianças que estavam na manifestação. Os trabalhadores foram recebidos à base de balas de borracha, armas de fogo, bombas de gás lacrimogêneo, e o saldo final foi mais de 40 pessoas feridas.

O gesto foi classificado pelas lideranças sindicais como uma repressão criminosa e desnecessária, mas a leitura feita por todos foi que os trabalhadores demonstraram muita força e coragem, prosseguindo com a marcha mesmo diante das repressões. Em nota, a CSP-Conlutas destaca que a mobilização nacional foi uma vitória da luta dos trabalhadores e das centrais sindicais, da mesma forma como ocorreu a Greve Geral de 28 de abril, objetivando derrubar o governo, barrar as reformas e reverter os projetos que já foram aprovados, que retiraram direitos dos trabalhadores.

 

Criminalização dos movimentos

No entendimento da presidente do SINDIJUFE-MT, Jamila Abrão Fagundes, os objetivos da luta, de protestar contra as reformas trabalhista e previdenciária, foram alcançados. Sobre os atos de vandalismo registrados, ela disse que até um certo ponto a marcha ocorreu sob a normalidade, e atribui a infiltrados as ações registradas, com a intenção de criminalizar os movimentos sociais.

Para Jamila, o que aconteceu foi obra de uma minoria. “A gente sabe que isso sempre existiu e sempre existirá, e tanto é que quando iniciaram os ataques a gente começou a recuar. Foi quando os tais ativistas correram à frente, porque os caminhões das centrais foram deixados para trás. Em vez de recuar eles correram até onde estava tendo queima de pneus, me parece, bem na frente da manifestação. Depois disso veio o decreto do Presidente Temer convocando o Exército“.

Jamila considerou isso um gesto inequívoco de fraqueza na governabilidade do país, que piorou a caótica situação do Brasil. “A repercussão dos acontecimentos é ruim para as classes trabalhadoras aqui no Brasil e principalmente no exterior“, disse ela, complementando que lá fora a repercussão foi bem pior, porque escancarou o caos da política brasileira e a crise geral que o país está vivendo.

Mas temos que olhar para a frente e organizar a Greve Geral de 48h. Para que a gente possa, de vez, conseguir derrotar o encaminhamento dessas reformas“, sinalizou a presidente do SINDIJUFE-MT.  Com ela, também estiveram em Brasília mais 3 representantes do Judiciário Federal: Pedro Aparecido de Souza, Gyseli Regina Pires e Aryela Oliveira Roberto.

Oficial de Justiça lotada em Nova Mutum, Aryela agradeceu pela oportunidade e disse que ficou feliz em poder participar desse dia histórico que foi o 24 de maio.

 

Leia na íntegra, a seguir, as considerações feitas por Aryela:

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer o convite do sindicato para participação e por poder compartilhar tal experiência com colegas tão caros: Jamila, Gisely e Pedro.

Pois bem. Quando recebi o convite para ir à Marcha, eu não tinha a mais vaga noção do que os meus olhos presenciariam. Eu imaginava baixa adesão, um protesto de meia-dúzia de pessoas. Todavia, o que os meus olhos presenciaram foi um “mar” de gente.

Bandeiras e faixas indicavam que ali estavam presentes trabalhadores dos setores público e privado, até mesmo de aposentados e pensionistas, gente de todas as idades, dos mais diversos Estados do país.

Eu me senti empolgada e feliz e, com meus colegas, apesar de estarmos caminhando sob sol escaldante, tínhamos o propósito de chegar até a Praça dos Três Poderes, porém, fomos impedidos pelo gás de pimenta, o qual era lançado,inclusive, pelos helicópteros da Polícia Militar.

De onde estávamos, ouvíamos bombas e rojões em um confronto severo.

A única coisa que me entristece é ler comentários em redes sociais de que a manifestação de ontem trata-se de mero apoio a determinado partido político ou uma tentativa de os sindicatos não perderem o imposto sindical e, por isso, designam como “ato de vandalismo”.

Pessoas com tal visão, que considero como reducionista, não têm a mais vaga noção dos ataques que o atual Governo fará em suas vidas e carreiras com as reformas trabalhista e previdenciária e a mitigação ou mesmo a supressão de direitos adquiridos ao longo de anos de lutas, o que trará o consequente “esvaziamento” das funções dos órgãos que exercem a fiscalização das relações de trabalho.

Talvez o citado vandalismo seja um reflexo da tamanha revolta e desespero da classe trabalhadora. Então, será que os vândalos dessa história são realmente os trabalhadores que estavam ali?

Ao assistir a um telejornal no dia seguinte ao Ato, ouvi que as Forças Armadas foram convocadas devido ao esgotamento das Forças Policiais local, pois estas contavam com um determinado número de manifestantes, porém, foram surpreendidos, fato que por si só rechaça que a manifestação seria de alguns poucos baderneiros.

Enfim, estou muito feliz por ter participado de um dia histórico e agradeço a oportunidade”.

Luiz Perlato-SINDIJUFE-MT

Fonte: http://www.fenajufe.org.br/index.php/imprensa/ultimas-noticias/sindicatos/4764-vandalismo-durante-marcha-em-brasilia-foi-provocado-para-incriminar-movimentos-sociais-alertam-representantes-do-sindijufe-mt

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