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Novo presidente da FenaPrF classifica como ‘absurdos’ recentes cortes orçamentários na Polícia Rodoviária Federal

A partir do próximo dia 8 de agosto a Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (FenaPrF) terá um novo presidente. Atual vice-presidente do sindicato, Deolindo Paulo Carniel tomará posse em um momento em que a representatividade da categoria se mostra fundamental – em face dos recentes cortes orçamentários imprimidos pelo Governo Federal, que muito tem dificultado a atuação da PRF e de seus servidores.

Para discutir esses e outros desafios do cargo, bem como para apresentar um pouco da trajetória do novo líder da FenaPrF, a Conacate conversou com Carniel às vésperas de sua posse.

Durante a entrevista o até então vice-presidente foi enfático em relação aos cortes orçamentários, marcando o tom do que deve ser a luta da categoria nos próximos meses.

“O corte do orçamento linear é uma estupidez. Se os gastos são altos e mal feitos, temos que avaliar as prioridades e o objetivo do Estado. Um corte de orçamento da maneira como foi feito é um absurdo, uma verdadeira irresponsabilidade”, afirmou.

Confira abaixo a íntegra da entrevista de Deolindo Paulo Carniel:

Redação – Conte um pouco sua trajetória no meio sindical até assumir a presidência da FenaPrF.

Deolindo Carniel – Ingressei na Polícia Rodoviária Federal em 1994. Depois de trabalhar três anos no Mato Grosso, em 1997 fui transferido para o Rio Grande do Sul. Assumi cargos de gestão no RS e em 2002 concorri à presidência do SinPRF/RS com o objetivo de modernizar e renovar o sindicato regional. O que marcou o início da minha trajetória no meio sindical foi o desafio de o sistema (sindical) realmente representar os interesses da categoria e lutar sempre pelo coletivo. Fui reeleito como presidente do SinPRF/RS em 2006 e também para um terceiro mandato. Foi pelo trabalho no sindicato que, em 2011, passei a integrar a diretoria atual da FenaPRF, à época como diretor financeiro. Na eleição da Federação Nacional dos PRFs de 2014 fui eleito vice-presidente e agora, no último pleito, como presidente da única entidade sindical que representa os PRFs nacionalmente. Pra mim foi uma honra receber o apoio e a confiança dos sindicatos para exercer este mandato.

Redação – Como você vê o desafio orçamentário apresentado atualmente?

Carniel – É óbvio que temos uma crise econômica, mas a crise na segurança pública é anterior. E o pior, ela é permanente. Nunca tivemos iniciativas para discutir possíveis soluções reais e eficientes para a segurança pública. O corte do orçamento linear é uma estupidez. Se os gastos são altos e mal feitos, temos que avaliar as prioridades e o objetivo do Estado. Um corte de orçamento da maneira como foi feito é um absurdo, uma verdadeira irresponsabilidade.

Redação – Você acha que nessa escassez de recursos os servidores públicos acabam sendo vistos pela população brasileira – e pela própria mídia – como espécies de vilões?

Carniel – Acho que os direitos do trabalhadores estão sendo colocados pelo Governo como se fossem maléficos, como se fossem o problema da economia brasileira. Estamos vendo uma retirada de direitos; a PEC do Limite dos Gastos, a Lei da Terceirização, as Reformas Trabalhista e da Previdência são um atraso aos trabalhadores. A imprensa, em sua maioria, é parcial e está ao lado dos grandes grupos econômicos-financeiros que veem na precarização dos serviços públicos uma maneira de ganhar mais. A falta de sindicatos fortes e atuantes representam o enfraquecimento das categorias de trabalhadores, não só do serviço público, mas também do setor privado. A comemoração dos grandes empresariados com a aprovação da Reforma Trabalhista, e consequentemente do fim do imposto sindical obrigatório, é um exemplo disso. Eles querem tirar as defesas do trabalhador para aumentar suas riquezas.

Redação – Você acredita que o país ainda carece de uma legítima política de segurança pública?

Carniel – Não discutimos segurança pública com quem a faz. Os operadores da segurança não são ouvidos, não existe uma política de Estado pensada na segurança pública. Por exemplo, não existe uma conferência anual para o tema. Na história brasileira só tivemos duas, uma em 2009 e a outra em 2014. É muito pouco! Enquanto a saúde tem até conferências específicas, como a da saúde da mulher, nós tivemos apenas duas para a segurança pública em toda a história do país e o policial, que é quem trabalha e executaria as políticas públicas, não participa da discussão.

Redação – A polícia rodoviária tem um papel central na redução da criminalidade pelo controle e fiscalização das estradas do país? Como isso se dá?

Carniel – Para começar, temos que ter em mente que o Brasil é um país de dimensões continentais, com mais de oito milhões de quilômetros quadrados. Temos 17 mil quilômetros de fronteiras e mesmo com todos os desafios os PRFs conseguem fazer um trabalho eficiente no combate ao crime nas rodovias e também na prevenção de acidentes e no atendimento aos que ficam feridos em acidentes nas rodovias. De 2011 a 2015, conseguimos reduzir a taxa de mortalidade e acidentes graves nas rodovias em 40%. A PRF é o órgão que mais realiza testes de bafômetro no Brasil. Em seis anos, foram aproximadamente 7,7 milhões de testes realizados. É uma polícia de capilaridade muito grande. Estamos presentes desde os grandes centros urbanos até as rodovias que cruzam pequenas cidades e povoados. Diante disso, poderemos ser um ator importante da redução da violência.

Redação –  Em complemento à questão anterior, gostaria que você comentasse sobre o nível de apreensões realizado pela PRF. Seu volume é muito grande?

Carniel – O volume é muito grande. Como disse anteriormente, estamos presentes em todos os cantos do Brasil e em toda a fronteira nacional. Somos a polícia que mais apreende drogas no Brasil. Os PRFs fazem apreensões de drogas em volumes muito grandes durante todo o ano. Um exemplo, de 2011 a 2017 apreendemos mais de 830 toneladas de maconha, 44 toneladas de cocaína e 9 toneladas de crack. Neste período foram mais de 42 milhões de veículos fiscalizados, tiramos 9.848 armas de circulação e recuperamos 28.331 carros.  Importante destacar que isso tudo com uma quantidade de policiais insuficiente para o trabalho. Temos atualmente pouco mais de 10 mil PRFs pelo país, temos autorização para ter 13 mil mas nunca alcançamos este número. Se todos que estiverem em condições de aposentar o fizerem este ano, até dezembro teremos apenas 7 mil policiais patrulhando as rodovias federais, o menor número dos últimos anos.

Redação –  Você considera que o servidor público, pela importância que o serviço público tem para a população, pode se tornar uma liderança importante para a sociedade como um todo – não só para sua classe, mas para todos os cidadãos?

Carniel – Com certeza. Normalmente as pessoas querem saber a opinião do servidor público sobre os assuntos em geral. Não só para admirará-lo por seu posicionamento ou concordar com ele, mas também para criticar ou contrapor. O servidor público no Brasil é uma referência e temos que trabalhar para que continue sendo uma referência qualificada, de opiniões bem construídas, independentemente de qual segmento político ele apoie ou siga. A opinião do servidor público é relevante e suas ações tomam destaque.

Fonte: http://www.conacate.org.br/novo-presidente-da-fenaprf-classifi

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