BRA01. RÍO DE JANEIRO (BRASIL), 15/03/2018.- Fotografía fechada el 23 de noviembre de 2017, cedida por CMRJ, que muestra a la concejala Marielle Franco. Amnistía Internacional (AI) pidió al Estado brasileño garantizar "una investigación inmediata y rigorosa" por el asesinato de la concejala Marielle Franco, ocurrido anoche en Río de Janeiro. Franco, que fue la quinta más votada en las elecciones de 2016 para el Concejo de Río de Janeiro, fue tiroteada cuando transitaba en su vehículo por una calle del centro de la ciudad en la noche del miércoles, tras haber participado en un acto político. EFE/Mário Vasconcellos/CMRJ/SOLO USO EDITORIAL/NO VENTAS

Assassinato de Marielle Franco é desafio para intervenção no Rio

Dar uma resposta rápida e eficiente ao brutal assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) tornou-se o mais imediato desafio da intervenção federal na segurança pública do Rio. Apresentada como “jogada de mestre” pelo governo federal, a ação decidida em Brasília completa nesta sexta um mês sem apresentar resultados expressivos.

E, agora, com um crime brutal e de repercussão internacional para resolver. A ação dos criminosos, para especialistas, é vista como uma afronta às autoridades, passando a ideia que nada pode detê-los.

Em nota oficial, o interventor federal, general Walter Braga Netto, afirmou repudiar “ações criminosas como a que culminou na morte da vereadora Marielle Franco e de Anderson Gomes”. Ainda segundo a nota, o interventor acompanha o caso em contato permanente com o secretário de Segurança, general Richard Nunes.

Na quinta, militares repetiram o procedimento das últimas semanas: foram à comunidade do Viradouro, em Niterói, na Grande Rio, que foi cercada e teve desobstruídas vias antes bloqueadas por traficantes. A ação repetiu o que foi feito várias vezes na favela Vila Kennedy, zona oeste carioca, onde os bandidos restabelecem as barreiras após o fim das operações.

“Há grande perplexidade em todos nós, mas talvez esse crime seja o grande divisor de águas da intervenção”, diz o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Rio de Janeiro (OAB-RJ), Felipe Santa Cruz. “Todo assassinato é grave, mas, quando matam uma ativista do tamanho da Marielle, só há dois caminhos: ou reafirmamos que vivemos numa democracia plena, em que as instituições funcionam, ou vamos seguir o caminho de tantos outros países do continente, com instituições fragilizadas, e onde militantes são executados no meio da rua impunemente.”

ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, deu entrevista na noite de quinta no Centro Integrado de Comando e Controle do Rio. Perguntado se achava que o crime poderia simbolizar fracasso da intervenção, ele reagiu, mas reconheceu dificuldades. “A intervenção nunca se propôs a fazer mágica”, declarou.

“A intervenção se propôs a trabalho, trabalho e trabalho. A intervenção, até aqui, tem procurado fortalecer e reestruturar as polícias.” Ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun disse que o episódio “é mais uma evidência” de que o governo federal “está no caminho certo” ao decretar a intervenção.

Pesquisadora da violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Alba Zaluar vê o crime como tentativa de afronta às forças de segurança. “Com muita audácia, esse assassinato é uma forma de tentar sabotar a intervenção e de chocar a população. O que apavora é a generalidade da vingança contra quem não fez nenhum mal diretamente reconhecível a seus assassinos”, diz. “Escolheram a vítima para causar impacto. E conseguiram.”

 

Fonte original:  http://brasil.estadao.com.br/noticias/rio-de-janeiro,assassinato-e-desafio-para-intervencao,70002229205

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