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Barroso manda soltar Yunes e coronel Lima, amigos de Temer

Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal, mandou soltar na noite deste sábado 31 os amigos de Michel Temer presos na Operação Skala.

Detidos desde quinta-feira 29, o advogado José Yunes, ex-assessor do presidente, e o coronel da reserva João Baptista Lima Filho tiveram sua liberdade determinada após pedido de Raquel Dodge, procuradora-geral da República. Segundo a PGR, as 10 prisões temporárias da operação já “cumpriram o objetivo geral”.

Além de Yunes e o coronel Lima, estavam detidos o ex-ministro da agricultura Wagner Rossi, pai do líder do MDB na Câmara, o deputado Baleia Rossi, e Antonio Celso Grecco, um dos donos da Rodrimar.

Segundo a PF, a Rodrimar teria sido beneficiada na edição do decreto do setor portuário. Temer e o Coronel Lima surgem em uma planilha, revelada por CartaCapital  em janeiro, como receptores de valores em propina pelo esquema.

No documento, a citação da Rodrimar tem a cifra de 600 mil reais. Ao lado, aparecem a sigla “MT” e os números “300.000 (+ 200.000 p/campanha)”. Já o “L” surge com 150 mil. Segundo o relatório policial de dezembro, MT seria Michel Temer e L, o coronel Lima.

Alvo de nova investigação, Temer tenta se equilibrar no poder até o fim do mandato. No Congresso, já há quem diga que não escapará de uma nova denúncia criminal à Justiça, repetindo o roteiro do escândalo JBS/Friboi. Com uma diferença: se houver nova denúncia, esta seria votada pelos deputados bem no meio da eleição. E aí dificilmente eles teriam coragem de salvar o mais impopular mandatário brasileiro da história.

A Operação Skala incluiu busca e apreensão nos endereços dos investigados. Procuradores da PGR acompanharam os depoimentos de alguns detidos na operação. As prisões tinham prazo até segunda-feira 1º. 

Em depoimento à PF, Yunes negou ter relação com o decreto dos portos e a empresa Rodrimar. Ele já havia sido ouvido três vezes pelo Ministério Público no ano passado, mas a PGR concordou que era necessário um novo depoimento. Ele voltou a afirmar que realizou apenas uma operação de venda de imóvel para Temer. 

Yunes foi alvo de delação premiada do doleiro Lúcio Funaro, operador do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. Segundo o delator, o advogado sabia que havia 1 milhão de reais em uma caixa que o Funaro mandou entregar no escritório do ex-assessor de Temer, em setembro de 2014, às vésperas da eleição. 

Já Lima alegou, “por motivos de saúde e falta de condições emocionais”, que não prestaria depoimento. A arquiteta Maria Rita Fratezi, mulher e sócio do ex-coronel, foi ouvida. A PF quer saber detalhes sobre a reforma da casa de Maristela Temer, filha do emedebista. Um dos fornecedores das obras da obra disse que recebeu 100 mil reais em dinheiro vivo pelos serviços. 

Fonte original: https://www.cartacapital.com.br/politica/barroso-manda-soltar-yunes-e-coronel-lima-amigos-de-temer

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