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Redução de ‘novos surdos’ e evasão explicam tema da redação do Enem

Tema da redação do Enem, o “desafio da formação educacional de surdos” foi ilustrado na prova com um gráfico indicando uma queda de matrículas entre esse público –algo que nem o Ministério da Educação soube explicar.

Agora, tabulações feitas pela Folha nos microdados do censo escolar jogam luz sobre o que de fato ocorreu. Mostrando uma redução de 23% no universo de estudantes surdos de 2011 a 2016, o gráfico dá a entender que esse público estaria deixando a escola. Mas esse é apenas um entre dois outros fatores: a queda no número de alunos que adquirem a surdez ao longo da vida e a própria transição demográfica por que passa o Brasil.

A mudança do perfil populacional atinge todo o país: com menos crianças em idade escolar, houve uma queda geral de 5% nas matrículas da educação básica de 2011 a 2016. Essa redução ocorreu entre crianças com e sem deficiência e ajuda a explicar uma parte do que está acontecendo com os surdos.

Um outro fator, porém, é específico dessa deficiência. Todos os anos, pessoas que não eram surdas perdem a audição. Desde 2012, isso ocorre cada vez menos nas escolas, segundo os registros do censo da educação básica. O levantamento é aplicado pelo Inep, instituto de pesquisas ligado ao Ministério da Educação. Nele, cada escola do país preenche um cadastro que inclui a eventual deficiência de cada aluno.

Esses dados mostram que a quantidade de alunos que antes tinham audição e, depois, passaram a ser classificados como surdos caiu 44% daquele ano para 2016.

Um fator que pode ajudar a explicar essa queda é o maior acesso a tratamentos, afirma José Ricardo Gurgel Testa, presidente da Sociedade Brasileira de Otologia.

Ele explica que grande parte dos casos de surdez adquirida é causada por infecções bacterianas, como a meningite. “Esses casos têm diminuído com o uso de medicamentos cada vez melhores e com um maior acesso da população a eles”, afirma.

Além disso, também tem se disseminado o uso de tecnologias que amplificam a audição, algo que pode interferir na forma como os portadores da deficiência são retratados no censo pelas escolas. É o caso do implante coclear, feito na parte interna da orelha.

Ele não dispensa a necessidade de atendimento especial ao aluno, já que, principalmente no início, o recém implantado enfrenta dificuldades para entender os sons.

EVASÃO

O atendimento especializado aos surdos, porém, tem falhado no Brasil, de acordo com educadores e estudantes com a deficiência. As dificuldades vão desde o professor virar as costas para o aluno que precisa de leitura labial até a falta de tradutores de Libras (Língua Brasileira de Sinais) e de material didático diversificado para esse público.

A falta de preparo das escolas para receber os alunos é apontada como um dos fatores que aumenta a evasão escolar de surdos. Para verificar o tamanho do problema, a Folha verificou a trajetória escolar de todos os alunos que tinham até 11 anos em 2011. Isso é possível porque cada estudante tem um código único no censo.

Cinco anos depois, 15% dos alunos desse grupo não estavam mais na escola. Entre os que não tinham a deficiência, o índice era de 9%

Para Martinha Clarete Dutra dos Santos, ex-diretora de políticas de educação especial do MEC, é preciso investir em formação de professores e intérpretes e mudar a cultura das escolas, acostumadas ao atendimento “padronizado”.

Em sua opinião, porém, a evasão não pode servir de pretexto para que alunos surdos voltem a ser segregados em classes exclusivas. “Historicamente, esse tipo de política sempre resultou em marginalização, e o Brasil assumiu diversos compromissos internacionais de reverter isso”, diz ela, atualmente pesquisadora da Unicamp.

DEFICIÊNCIAS

Também a partir dos dados do censo escolar, estudo feito pelo movimento Todos pela Educação mostra que a redução do número de matrículas entre 2011 e 2016 ocorreu não só entre surdos, mas também entre pessoas com deficiência auditiva (queda de 3%), surdocegos (32%), cegos (10%) e pessoas com baixa visão (8%).

O movimento vai na contramão do que ocorre com outros grupos de crianças com necessidades especiais. Entre pessoas com deficiência física, por exemplo, houve alta de 22% nas matrículas.

Uma possibilidade é que a adaptação para pessoas com deficiência física exija da escola um esforço de uma vez só: feita uma rampa ou elevador, resolve-se o problema.

Já com os demais grupos, há necessidade contínua de formação de profissionais.

Para Priscila Cruz, presidente-executiva da entidade, o país deveria aproveitar que a discussão virou centro das atenções para fazer um diagnóstico preciso da educação de pessoas com deficiência e adotar medidas específicas de formação e infraestrutura.

“Esse tem sido um tema jogado para baixo do tapete em um momento em que o país tem dificuldade de avançar em grandes médias”, diz Cruz, ressaltando a importância de saber lidar com as diferenças entre os estudantes.

Fonte original: http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2017/11/1934293-reducao-de-novos-surdos-e-evasao-explicam-tema-da-redacao-do-enem.shtml

Justiça barra regra do Enem que zera redação que viola direitos humanos

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) determinou a suspensão da regra do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para redações que desrespeitem os direitos humanos.

A decisão acolhe a ação da Associação Escola Sem Partido, que, em caráter de urgência, conseguiu que a nova diretriz valesse já para o próximo exame, previsto para os dias 5 e 12 de novembro.

A regra existe desde 2013, após a publicação das Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos. As regras, publicadas no edital, tornou obrigatório a não violação dos direitos humanos no texto.

Até então, eram consideradas violações aos direitos humanos, por exemplo, a defesa da tortura, da justiça com as próprias mãos e a incitação da violência motivada por questões de raça, gênero ou credo, entre outras, no texto a ser avaliado.

A decisão é do desembargador federal Carlos Moreira Alves e anula o item 14.9.4 do edital Enem 2017, que atribuiria nota zero às redações que “que apresente impropérios, desenhos e outras formas propositais de anulação, bem como que desrespeite os direitos humanos, que será considerada ‘anulada'”.

No pedido, a Escola Sem Partido afirma que nenhum candato deveria ser “punido ou beneficiado por expressar sua opinião”. “Não existe um referencial objetivo em relação aos parâmetros a se adotar na avaliação das propostas de intervenção para o problema abordado”, o que, segundo a associação, impõe aos candidatos o respeito ao “politicamente correto”.

Em nota do TRF1, o desembargador declara que o “conteúdo ideológico” contido na redação não deve ser “fundamento sumário para sua desconsideração, com atribuição de nota zero ao texto produzido, sem avaliação alguma em relação ao conteúdo intelectual desenvolvido pelo redator”.

Alves ainda afirma que a regra é “uma ofensa à garantia constitucional de liberdade de manifestação de pensamento e opinião, também vertente dos direitos humanos propriamente ditos”.

O que é considerado direitos humanos para o Enem

De acordo com o Manual de Redação do Enem 2017, são consideradas violações aos direitos humanos redações que contenham “defesa de tortura, mutilação, execução sumária e qualquer forma de ‘justiça com as próprias mãos'”, além da “incitação a qualquer tipo de violência motivada por questões de raça, etnia, gênero, credo, condição física, origem geográfica ou socioeconômica e explicitação de qualquer forma de discurso de ódio”.

 

Fonte original: https://www.cartacapital.com.br/sociedade/justica-barra-regra-do-enem-que-zera-redacao-que-viola-direitos-humanos

Com verba menor, institutos federais freiam expansão e recorrem a doações

Modelo de educação profissional e média no País, os institutos federais de ciência e tecnologia têm sofrido com a redução de verbas. Dos R$ 565 milhões previstos para investimento neste ano, só R$ 339,4 milhões (60%) foram liberados pelo Ministério da Educação (MEC) até o último dia 10, o que tem feito unidades deixarem de abrir vagas e cursos. Com recursos menores também para custeio, os institutos recorrem a equipamentos doados e cortes de funcionários terceirizados para manter as aulas.

Durante todo o ano de 2014, quando o MEC iniciou uma expansão dos institutos, o montante empenhado em investimentos foi bem maior, de R$ 1,38 bilhão, em valores corrigidos pela inflação. De lá para cá, o total de câmpus da rede subiu de 578 para 644 em todos os Estados do País. Segundo o MEC, somente será possível apontar queda de recursos quando os repasses do ano estiverem fechados.
No momento em que o MEC discute ampliar a educação profissional, com a reforma do ensino médio, os institutos são considerados referência e possibilidades de apoio para a oferta de ensino médio junto do técnico. Os institutos também têm cursos de graduação e de pós.
O Instituto Federal de São Paulo (IFSP) adiou – e não tem previsão para concluir – a terceira fase de expansão no interior e na região metropolitana, em cidades como Marília, Bauru e Carapicuíba. Pró-reitor de administração, Silmário da Silva explica que não foi possível construir ginásio, restaurantes e auditórios na maioria das 36 unidades. “Reduzimos o número de pessoas que fazem limpeza, vigilância, manutenção e apoio administrativo. A redução foi suficiente para fechar o ano. Mas não será para 2018, quando os contratos forem corrigidos pela inflação”, prevê.
Aluna do 3º ano do curso técnico de Informática, Rebecca dos Santos diz sentir os efeitos da crise. “Antes, limpavam os banheiros com mais frequência. E o valor da refeição no bandejão aumentou de R$ 3,50 para R$ 5 e o da bolsa para auxílio-alimentação continua o mesmo”, reclama ela, de 17 anos.

Restrições

O Instituto Federal do Rio Grande do Sul tem 17 câmpus – cinco criados há menos de três anos. “Os mais recentes foram mais afetados porque não há recurso para o investimento que havíamos previsto”, diz o reitor, Osvaldo Pinto.
É o caso do câmpus Alvorada, na Grande Porto Alegre. Era previsto abrir 1,2 mil vagas e a oferta de cursos, como o técnico de Enfermagem, uma demanda da população. Sem recurso, a unidade tem 250 alunos e a Enfermagem ainda não saiu do papel.
Maísa de Lima, de 15 anos, cursa o 1.º ano do curso técnico de Áudio e Vídeo em Alvorada. Ela diz ter encontrado estrutura melhor do que a dos colégios públicos onde estudou, mas ainda insuficiente. “Não temos alguns equipamentos básicos para uma escola, como biblioteca ou laboratório de química. Também não temos saídas de campo”, diz ela, que faz o ensino médio junto do técnico. “E o valor da bolsa de assistência estudantil, que no começo do ano era de R$ 195 foi reduzido em R$ 10.” A direção afirma ter reduzido o valor da bolsa para que mais alunos tivessem o benefício.
Na unidade, o laboratório de fotografia para os cursos técnicos e de graduação recebeu doação de equipamentos de professores. Os dois de informática também foram doados. Não há telefones fixos – só celulares institucionais para cortar custos.
Sem aval do governo para abrir concurso, o câmpus Colinas do Instituto Federal do Tocantins lançou, em julho, edital para docentes voluntários. Cinco técnicos da unidade foram selecionados para dar aula de Biologia e Matemática no ensino médio. “São servidores com ótima qualificação, alguns com mestrado.” Eles mantêm o salário de técnico, mas não receberão pelas classes.
Quando o câmpus foi criado, a previsão era ter 1,4 mil alunos até 2019. Com o orçamento apertado, a direção diz que, no melhor cenário, chegarão a 800 matrículas. “Tínhamos planejado abrir um curso de Agronomia para o início de 2017, mas não tivemos recursos”, afirma Paulo Hernandes da Silva, diretor da unidade, a 283 quilômetros de Palmas.
Fonte original: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2017/10/18/internas_polbraeco,634459/com-verba-menor-institutos-federais-freiam-expansao-e-recorrem-a-doac.shtml

TSE lança projeto “Partiu Mudar” nesta quinta-feira (19)

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fará nesta quinta-feira (19), às 8h30, no auditório 3, o lançamento do projeto “Partiu Mudar – Educação para a Cidadania Democrática no Ensino Médio”, parceria entre a Justiça Eleitoral, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e as Escolas Judiciárias Eleitorais (EJEs)

Participarão do lançamento o presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, o diretor da EJE, Fábio Quintas, o diretor da EJE/TRE-DF, desembargador Carlos Rodrigues, representantes do Unicef, o secretário de educação do Distrito Federal Júlio Gregório Filho e estudantes de escolas de Brasília.

O projeto tem como objetivo contribuir para suprir a lacuna de educação política de jovens com idades entre 14 e 18 anos. A ideia é trabalhar educação para a cidadania com os alunos do ensino médio de escolas públicas e privadas para ampliar a discussão, não apenas sobre o jovem eleitor, mas também sobre democracia, sistemas políticos, minorias, o papel da mídia, dentre outros temas.

Dessa forma, o projeto #partiumudar será lançado por meio da disponibilização de um website criado especificamente para esse fim, que funciona como base on-line de iniciativas e conteúdos voltados para a educação política.

Atualmente, o portal conta com: vídeos, imagens, guia do professor, guia do programa Eleitor do Futuro, espaço para enquetes, bancos de boas práticas (de alunos e professores), notícias e espaço para diálogo com o TSE e com demais parceiros do projeto, operado pela Ouvidoria do TSE.

As primeiras ações de implementação do projeto serão realizadas no TSE, com a assinatura do Acordo de Cooperação entre o TSE, o TRE-DF e a Secretaria de Educação do Distrito Federal, e também no Paraná, em Minas Gerais, no Rio Grande do Sul e na Bahia.

 

Fonte original: http://blogs.correiobraziliense.com.br/servidor/tse-lanca-projeto-partiu-mudar-nesta-quinta-feira-19/

‘Não fede, nem cheira’: o divórcio de parte da classe média com a arte

Em seu texto de apresentação da exposição Histórias da Sexualidade, aberta ao público a partir desta sexta-feira 20, o Museu de Arte de São Paulo (Masp) adota um tom assertivo para defender a mostra de possíveis ataques.

Quando a instituição menciona episódios recentes ocorridos no Brasil e no mundo que trouxeram à tona “questões relativas à sexualidade e aos limites entre direitos individuais e liberdade de expressão”, subentende-se a fúria despertada em parte da classe média por uma mostra LGBT e uma performance no Museu de Arte talisador da revolta contra as atrações artísticas, atacou a primeira pela ausência de uma classificação indicativa e pelo uso de recursos públicos da Lei Rouanet para expor obras que estimulavam, segundo a organização, a zoofilia e a pedofilia. No caso da performance, o grupo fez campanha contra o MAM após uma menina ser filmada acompanhada da mãe enquanto tocava no pé do bailarino Wagner Schwartz, que se apresentava nu.

Concebida há dois anos, Histórias da Sexualidade reúne 300 obras em diversos núcleos temáticos, entre eles jogos sexuais, voyeurismos e, como não podia faltar, corpos nus. Em sua página no Facebook, o MBL deu sinais de que não fará grande barulho contra a mostra.

O movimento reproduziu um texto do site Ceticismo Político, uma de suas fontes frequentes, com o título “Masp recua e não vai exibir exposição pornô para crianças”, em referencia ao fato de o museu ter adotado a classificação indicativa de 18 anos. Na publicação, a organização reproduziu o texto do site: “Se não tiver exposição para crianças e se não tiver dinheiro da Lei Rouanet, essa mostra entra na categoria ‘não fede nem cheira’”.

Nesse caso, a indiferença pode ser mais sintomática que a fúria. O movimento trata com desprezo uma mostra que reúne obras de Francis Bacon, Edgar Degas, Édouard Manet, Pablo Picasso e Paul Gauguin, nomes presentes em qualquer simplório manual de história da arte. Se “não fede, nem cheira”, não se trata apenas das supostas depravações serem financiadas com recursos públicos ou disponíveis ao acesso das crianças. Os episódios recentes demonstram que própria arte não parece ter grande valor para uma parte significativa da classe media.

Não se trata de um fenômeno local. O jornalista norte-americano Scott Timberg já havia diagnosticado no livro Culture Crash (a Crise da Cultura, em tradução livre) a separação violenta entre a classe artística e a classe média nos Estados Unidos, pouco antes de a eleição de Donald Trump confirmar o divórcio.

O livro busca analisar os impactos da Crise de 2008 sobre a cadeia produtiva da cultura norte-americana. Fechamento de casas de shows e bares, de pequenas livrarias locais, de cinemas antigos, um fenômeno relacionado à gentrificação dos centros urbanos, somaram-se a demissões de jornalistas culturais das principais redações, caso de Timberg.

Na outra ponta, a reformulação protagonizada por grandes players como Apple, Google e Netflix, que dominam grande parte do atual mercado cultural, desempregou inúmeros vendedores de discos, “roadies”, curadores, entre tantos intermediários fundamentais para a sobrevivência e a difusão da classe artística. O autor defende que há uma grande concentração de capital cultural que estimula o desinteresse crescente por manifestações de vanguarda ou até mesmo pela história da arte.

Em seu capítulo final, Timberg faz uma interessante reflexão sobre os motivos para a arte “não feder nem cheirar” para grande parte da classe média. O autor recupera o termo middlebrow, um conceito cunhado nos 1920 sobre a cultura de uma parte da sociedade que está disposta a pequenos esforços intelectuais e procura conhecimento sobre arte como forma de prestígio.

Embora ridicularizada por intelectuais e artistas, essa parcela da sociedade, diz Timberg, tinha um importante papel para a cultura. Ela garantia a formação de um mercado próprio, voltado a difundir a arte e sua história de modo palatável, em forma de revistas, manuais de arte e documentários televisivos.

Timberg sugere que é dever da classe artística e cultural aproximar-se dessa camada intermediária da população. E isso não significa ser comercial. “Significa despertar a paixão nos estudantes de escolas e universidades. Significa a mídia conectar-se a algo além de ‘transgressão’ e luxo. Significa acadêmicos se importando com o destino de seus discursos para além dos muros da instituição”, escreve.

A reflexão de Timberg torna-se ainda mais aguda sob o ângulo brasileiro. Embora os recentes ataques à liberdade artística, inclusive com violência física, sejam condenáveis, os episódios permitem àqueles que trabalham com cultura uma reflexão sobre sua dificuldade em dialogar com uma grande parte das camadas intermediárias, cada vez menos abertas à alteridade.

“Para fazer as coisas funcionarem novamente, a classe criativa precisa reconhecer que é parte da classe média, e precisamos lutar pela sobrevivência de ambas”, afirma Timberg a CartaCapital. O autor lembra que as escolas nos EUA têm cortado artes e cultura de sua grade, uma realidade comum no Brasil. “As sociedades decidem o que é importante para elas, e em grande parte do mundo a cultura tem sido abandonada.”

O livro de Timberg ajuda a explicar por que o financiamento de projetos pela Lei Rouanetsão alvos da ira de tantos brasileiros: há grande desinteresse por espetáculos e mostras. Uma pesquisa da Fecomércio-RJ do ano passado indicou que 56% frequentaram pelo menos uma atividade cultural nos últimos 12 meses, ou seja, o restante não foi a uma exposição, show ou peça sequer. Na ocasião, a televisão foi mencionada como principal programa cultural.

É provável que as redes sociais já desempenhem papel quase ou tão importante no tempo livre dos brasileiros, um espaço onde a arte para muitos realmente “não fede, nem cheira”. Timberg chega a propor, em uma formulação semelhante à do economista Thomas Piketty, uma revisão na tributação para incentivar a reinvenção do ensino da arte nas escolas e universidades norte-americanas e aumentar o investimento em espaços públicos para sua difusão.

É certamente um pensamento utópico para o Brasil atual, que sequer consegue ter impostos sobre fortunas e heranças próximos da média mundial. Também não encontraria ressonância alguma entre aqueles que defendem o fim dos incentivos fiscais da cultura, mas não propõem alternativas para seu financiamento.

O divórcio entre a arte de vanguarda e a classe média talvez seja passageiro, mas ele jamais revelou-se tão presente. Para superar essa falta de comunicação, cabe aos artistas e intermediários culturais também se mobilizarem para suas mensagens, vanguardistas ou comerciais, superarem os limites de seus próprios muros.

 

 

Fonte original: https://www.cartacapital.com.br/cultura/nao-fede-nem-cheira-o-divorcio-de-parte-da-classe-media-com-a-arte

Justiça proíbe que prefeitura obrigue alunos a rezar ‘Pai Nosso’

A Justiça determinou que a prefeitura de Barra Mansa, no sul fluminense, suspenda a ordem de serviço que obriga os alunos das escolas municipais a rezar o Pai Nosso, diariamente, antes do início das aulas. A decisão, tomada nesta terça-feira (17/10), pelo juiz Antônio Augusto Gonçalves Balieiro Diniz, titular da 4ª Vara Cível de Barra Mansa, deve ser cumprida em 24 horas, sob pena de multa diária no valor de R$ 10 mil.

Em 2 de outubro o secretário municipal de Educação de Barra Mansa, Vantoil de Souza Júnior, oficializou a ordem de serviço 008/2017-SME, estabelecendo procedimentos para a entoação de hinos cívicos e da oração Pai Nosso nas escolas municipais. Os alunos que não desejassem participar da oração seriam separados em outra fila para seguirem depois à sala de aula.
“Evidente que a formação de filas separadas entre crianças que seguem ou não determinada religião, dentro do mesmo ambiente escolar, para a entoação da oração ao Pai Nosso, foge por completo ao conceito de razoabilidade”, escreveu o juiz. “Por óbvio, tal ordem de serviço tem cunho separatista, fomentador de discriminação e conflito, não encontrando qualquer respaldo nos princípios da tolerância e liberdade religiosa.”
Após a decisão da Justiça, a Secretaria de Educação ainda tentou que o juiz reconsiderasse a decisão, anexando ao processo uma nova versão da ordem de serviço, alterando um parágrafo para excluir a separação dos alunos por filas e determinar o encaminhamento dos alunos que não desejassem participar da oração para as salas de aula. Mesmo assim, o magistrado considerou que a decisão fere a Constituição Federal.
“Evidente que a redação da ordem de serviço juntada pelo município de Barra Mansa é menos gravosa do que a apresentada pela parte autora. Por certo, mostra-se menos gravoso que os alunos de religiões que não entoam a oração do Pai Nosso possam se retirar do local. Ocorre que ser menos gravoso não significa, nem de longe, estar de acordo com a Carta Constitucional”, destacou.
O juiz considerou ainda que a obrigação do aluno em declarar sua religião para que possa se retirar de uma atividade religiosa diferente da sua preferência também promove o separatismo, o que deve ser evitado entre os alunos.
“A obrigatoriedade da ‘declaração de religião’ para ausentar-se do local e a própria retirada dos alunos de local público e laico mostra-se separatista, fomentadora de discriminação e conflito, não encontrando qualquer respaldo nos princípios da laicidade, tolerância e liberdade religiosa”, concluiu o juiz.

Ministério da Educação vai lançar Programa Nacional de Residência Pedagógica em 2018

Sem dar mais detalhes sobre como esse programa irá funcionar, Mendonça Filho disse que o objetivo será de “aperfeiçoar a formação dos professores nas escolas, desde a graduação”.

Segundo o ministro, o governo vai investir R$ 2 bilhões na

Fazendo referência ao dia do professor, comemorado neste domingo, o ministro afirmou que o governo está trabalhando para “dar a esse profissional o reconhecimento e as condições de trabalho compatíveis com a missão que exerce”.

Ele destacou os repasses integrais para a educação básica e disse que o governo vai investir R$ 1 bilhão no fomento à escola em tempo integral.

“Estamos oferecendo mais de 2 milhões de vagas no ensino profissionalizante até 2018, contratamos cerca de 4 mil profissionais para os hospitais universitários e ampliamos o Fies com mais 300 mil contratos”, afirmou o ministro.

Mendonça Filho falou ainda sobre a tragédia ocorrida na creche de Janaúba, em Minas Gerais, e homenageou a professora Heley Abreu Batista, que morreu vítima das queimaduras que sofreu quando tentava salvar as crianças.

Fonte original: https://g1.globo.com/educacao/noticia/ministerio-da-educacao-vai-lancar-programa-nacional-de-residencia-pedagogica-em-2018.ghtml

Gilmar Mendes usa morte de reitor para alertar sobre abuso de poder

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes usou sua conta no Twitter para dizer que o morte de Luiz Carlos Cancellier, reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), “serve de alerta sobre as consequências de eventual abuso de poder por parte das autoridades”.

Encontrado morto em um shopping center no centro de Florianópolis, o reitor afastado carregava no bolso apenas sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e um bilhete, segundo a assessoria da Polícia Civil. “Eu decretei a minha morte no dia da minha prisão pela Polícia Federal”, escreveu no papel, segundo a polícia.
Cancellier foi preso em 14 de setembro na Operação Ouvidos Moucos, acusado de tentar obstruir investigações internas na universidade sobre irregularidades na aplicação de recursos para o Ensino a Distância (EaD).
“Não estou antecipando responsabilização, mas o caso demonstra que, algumas vezes, sanções vexatórias são impostas sem investigações concluídas”, escreveu Mendes no Twitter. “O sistema de justiça precisa de extremo cuidado para que excessos não sejam cometidos. Estamos lidando com a vida e a dignidade das pessoas”, continuou o ministro do STF.
Gilmar Mendes concluiu sua mensagem dizendo “ser necessário que o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), o CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) e o Ministério da Justiça atuem no caso da morte do reitor”.

BOLSONARO QUER ESCOLAS MILITARES E GENERAL NA EDUCAÇÃO

O deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), que aparece em segundo lugar nas simulações sobre a disputa presidencial de 2018, defende um modelo pra lá de polêmico nas salas de aula: colégios militares e um general na Educação

Segundo ele, nas escolas militares “há educação moral e cívica, cultua-se o respeito às autoridades, no intervalo não tem maconha, o pessoal corta o cabelo, cobra-se o dever de casa…”

Abaixo, um trecho da reportagem de Anna Virginia Ballousier:

Das 147 mil unidades públicas de ensino básico, cerca de 0,1% estão sob batuta militar. São 13 comandadas pelo Exército (há um projeto para implantar uma em São Paulo) e dezenas nas mãos de PMs estaduais –não há um órgão que centralize esse total, e alguns Estados não possuem o dado consolidado, mas sabe-se que Goiás lidera o ranking, com 36 colégios sob guarda da polícia e mais 18 previstos para 2018.

Bolsonaro diz que, se eleito presidente, multiplicará o modelo, fechando parcerias com as redes municipal e estadual. Reconhece ser impossível cobrir 100% da malha escolar, mesmo porque “faltariam recursos”.

Mas as escolas militares “passariam a ser exemplares”, pois nelas há “educação moral e cívica, cultua-se o respeito às autoridades, no intervalo não tem maconha, o pessoal corta o cabelo, cobra-se o dever de casa…”.

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/rio247/314019/Bolsonaro-quer-escolas-militares-e-general-na-Educa%C3%A7%C3%A3o.htm

Educação 360 debate violência na escola e Base Nacional Comum Curricular

RIO – Nos dias 21 e 22 de setembro, haverá a quarta edição do Educação 360. O evento gratuito, uma realização dos jornais O GLOBO e “Extra”, reúne pessoas que vivenciam e pensam a educação sob diferentes e novos aspectos. O encontro internacional, que acontece na Escola Sesc de Ensino Médio, em Jacarepaguá, será para trocar experiências e refletir sobre temas importantes no dia a dia de educadores, alunos e toda a sociedade.

O Educação 360, com parceria do Sesc, patrocínio de Fundação Telefônica, colégio pH e Fundação Itaú Social, apoio da Unesco e Unicef, e parceria de mídia da TV Globo, do Canal Futura, da revista “Crescer”, da revista “Galileu” e do TechTudo, terá palestras magnas com especialistas em educação. Haverá ainda painéis de debate, oficinas e feira de startups.

— A grande procura do público para participar do Educação 360, ano após ano, mostra o quanto ele é importante. É um evento fundamental não apenas para educadores e profissionais da área, mas para toda a sociedade. Refletir sobre os desafios e os avanços da educação no Brasil é refletir sobre o futuro do país — afirma Ascânio Seleme, diretor de redação do GLOBO.

Para enriquecer e garantir a troca de informações, as mesas terão representantes das esferas pública e privada, nacional e internacional, e a apresentação de casos bem-sucedidos. Um dos objetivos do evento é promover o debate sobre dilemas e desafios cotidianos, como o impacto da violência na educação.

— Você pode apontar dez soluções para o país e para o Rio. Se o primeiro degrau não for o investimento em educação, esquece o resto. O evento é uma das formas de mostrar isso — aponta o diretor de redação do “Extra”, Octavio Guedes.

Um dos grandes assuntos relacionados à educação no país atualmente será tema de debate no primeiro dia: a Base Nacional Comum Curricular, documento que visa a organizar e determinar o conteúdo mínimo a ser ensinado em todas as escolas públicas e privadas do país. A mediadora da mesa, Mônica Dias Pinto, gerente de desenvolvimento institucional da Fundação Roberto Marinho, garante que é alta a expectativa em torno dessa discussão:

— A sociedade precisa se apropriar do documento e do debate para que este seja a garantia de que toda criança brasileira, esteja onde estiver, tenha acesso aos conteúdos básicos a que todo brasileiro tem direito de aprender na escola.

Segundo a coordenadora do Educação 360, Roberta Ferraz, o evento é uma convocação a toda a sociedade para discutir os caminhos da educação. Ela espera que o aprendizado vivido ali circule em outros ambientes.

— Este é um projeto com olhar positivo e prático para a educação. Abordaremos estudos de caso, o que está dando certo, para que as pessoas se inspirem e repliquem depois. Traremos ainda debates com temas atuais, como diversidade — observa.

Grandes pensadores

Roberta ressalta a presença de grandes pensadores, como Gilles Lipovetsky, que possibilitará a percepção de novos horizontes na educação. Outro destaque é Kiran Sethi, fundadora do centro de ensino Riverside School, que tem como proposta ser um espaço onde crianças usam o conhecimento obtido na escola para transformar a realidade à sua volta.

As oficinas serão para trabalhar ideias e colocá-las em prática. As atividades partem do princípio de que o jovem aprende mais e melhor quando estimulado e instigado para o aprendizado.

Para fechar o evento, o segundo dia terá exibição do documentário “Nunca me sonharam” e um debate com o diretor e os atores. O protagonismo jovem estará presente nos painéis que discutirão as principais dificuldades e soluções no ensino.

Serviço:

O que é: Os jornais O GLOBO e “Extra” apresentam a quarta edição do Educação 360, um encontro internacional que reúne quem vive e pensa a educação contemporânea. O evento tem vasta programação, entre palestras magnas, oficinas e painéis de debate.

Quando: O evento acontece entre os dias 21 e 22 de setembro, na Escola Sesc de Ensino Médio, em Jacarepaguá. O endereço é Avenida Ayrton Senna 5.677. As inscrições são gratuitas e começam no início de setembro, pelo site.

Destaques: No primeiro dia de evento, haverá uma mesa com especialistas e professores para discutir a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Já no dia 22, haverá palestra magna com o israelense Yaacov Hecht, fundador do Instituto para a Educação Democrática. A programação abordará ainda temas como “cidades educadoras”, parcerias de sucesso entre família e comunidade escolar e diversidade.

Fonte: https://extra.globo.com/noticias/educacao/educacao-360-debate-violencia-na-escola-base-nacional-comum-curricular-21753014.html