Diretoria Executiva da Fenajufe reúne-se no sábado, 23

O sábado 23 de setembro será um dia de debates importantes para a condução da Fenajufe e seu relacionamento com as entidades filiadas, bem como para o aperfeiçoamento de processos internos de gestão da federação. A partir das 10 horas os coordenadores e coordenadoras reúnem-se na Fenajufe para deliberar sobre a pauta a ser definida.

Além das estratégias de atuação da Fenajufe nas frentes em defesa do Poder Judiciário federal e Ministério Público da União, figuram ainda temas administrativos para operacionalizar essa atuação.

A reunião acontece em Brasília, na sede da Fenajufe.

Fonte: http://www.fenajufe.org.br/index.php/imprensa/ultimas-noticias/fenajufe/4695-diretoria-executiva-da-fenajufe-faz-reuniao-no-proximo-fim-de-semana

Vereador, secretário e ex-secretário de Pato Branco são presos em Operação da Polícia Civil

O vereador Marco Pozza (PSD), o secretário de Administração e Finanças Vanderlei Crestani e o ex-secretário de Saúde Valmir Chiochetta, de Pato Branco, no sudoeste do Paraná, foram presos na manhã desta segunda-feira (18) durante a deflagração de uma operação das polícias civis do Paraná e de Santa Catarina.

De acordo com a polícia, os alvos da ação são investigados por crimes como associação criminosa, fraude em licitações, peculato, concussão, corrupção ativa e passiva, falsidade documental e lavagem de dinheiro.

O delegado Niomar Manfrin disse que o principal crime era o de fraudes em licitações em secretarias municipais de Pato Branco.

No total, foram cumpridos 67 mandados judiciais em Pato Branco, Clevelândia, Saudade do Iguaçu, Francisco Beltrão, Curitiba e Joinville (SC). A ação batizada de Operação Hígia mira agentes políticos, servidores públicos e empresários supostamente envolvidos em irregularidades na área da saúde.

Do total de mandados, nove são de prisão temporária, quatro são de afastamento temporário das funções públicas e 54 são de busca e apreensão domiciliar e/ou empresarial.

Operação investiga fraudes em licitações na secretaria de saúde de Pato Branco

Operação investiga fraudes em licitações na secretaria de saúde de Pato Branco 

As ordens judiciais foram cumpridas em endereços residenciais, empresariais e órgãos públicos.

O advogado Heber Sutili, que defende o vereador Marco Pozza, disse que ainda não teve acesso a todo o conteúdo do inquérito policial e por isso não soube explicar o motivo da prisão temporária por cinco dias e das buscas feitas na casa e no gabinete do parlamentar. “Estamos colaborando com a polícia e o primeiro passo agora é saber quais são as acusações contra ele e em seguida entrar com um pedido de habeas corpus”, comentou.

Em nota, a assessoria de imprensa informou que a Prefeitura de Clevelândia recebeu com surpresa os mandados de busca e apreensão e de prisão temporária contra o secretário de saúde.

O documento informa ainda que, apesar de os fatos investigados terem sido supostamente praticados antes da nomeação para o cargo que atualmente ocupa na administração de Clevelândia, a administração municipal decidiu pela exoneração de Valmir Chiochetta em respeito à “lisura, respeito e transparência”, o que, acredita, deve contribuir com as investigações.

Delegacias fechadas

Por conta da operação, a Polícia Civil informou que as delegacias de Palmas, Clevelândia, São João, Coronel Vivida, Mangueirinha e Chopinzinho permanecerão fechadas nesta segunda por causa do efetivo utilizado na operação. Ao todo, 180 policiais foram convocados.

A Polícia Civil informou ainda que todos os casos urgentes e graves que porventura vierem a acontecer nesses municípios, com exceção de Palmas que atenderá em regime de plantão, serão atendidos na sede da subdivisão em Pato Branco.

O nome da operação é uma referência à mitologia grega. “Hígia é a deusa da saúde, limpeza e sanidade, relacionando-se à Secretaria de Saúde do Município de Pato Branco onde a investigação teve início”, explicou a Polícia Civil.

Outro lado

O advogado Heber Sutili, que defende o vereador Marco Pozza, disse que ainda não teve acesso a todo o conteúdo do inquérito policial e por isso não soube explicar o motivo da prisão temporária por cinco dias e das buscas feitas na casa e no gabinete do parlamentar.

“Estamos colaborando com a polícia e o primeiro passo agora é saber quais são as acusações contra ele e em seguida entrar com um pedido de habeas corpus”, comentou.

Em nota, a assessoria de imprensa informou que a Prefeitura de Clevelândia recebeu com surpresa os mandados de busca e apreensão e de prisão temporária contra o secretário de Saúde.

O documento informa ainda que, apesar de os fatos investigados terem sido supostamente praticados antes da nomeação para o cargo que atualmente ocupa na administração de Clevelândia, a administração municipal decidiu pela exoneração de Valmir Chiochetta em respeito à “lisura, respeito e transparência”, o que, acredita, deve contribuir com as investigações.

O advogado de Vanderlei Crestani afirmou que não existe prova contra o cliente dele e que tomara as medidas cabíveis para colocá-lo em liberdade.

Fonte: https://g1.globo.com/pr/oeste-sudoeste/noticia/operacao-da-policia-civil-mira-servidores-publicos-e-empresarios-do-sudoeste-do-parana.ghtml

MP deve garantir que “ninguém esteja acima da lei”, diz Dodge

A nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, a primeira mulher a ocupar a chefia do Ministério Público, assumiu o cargo na manhã desta segunda-feira 18 em uma cerimônia marcada pela presença de denunciados e investigados por corrupção e não mencionou diretamente a Operação Lava Jato, que desde 2014 colocou de cabeça para baixo o cenário político nacional. Dodge, no entanto, falou sobre a crise política e disse estar ciente das expectativas que a população tem sobre ela.

Ao lado da presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, do presidente Michel Temer (PMDB), denunciado por corrupção, organização criminosa e obstrução de justiça, e dos presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Eunício Oliveira(PMDB-CE), ambos investigados por corrupção, Dodge afirmou que o Brasil “passa por um momento de depuração” e afirmou que “os órgãos do sistema de administração de justiça têm no respeito e harmonia entre as instituições a pedra angular que equilibra a relação necessária para se fazer justiça em cada caso concreto”, disse Dodge.

Dodge lembrou que a atividade do Ministério Público não se resume ao Direito Penal e que a instituição deve proteger o meio ambiente e as minorias ao mesmo tempo em que cobra dos políticos que atuem “de modo honesto, eficiente e probo”. “O Ministério Público deve promover justiça, defender a democracia, zelar pelo bem comum e pelo meio ambiente, assegurar voz a quem não a tem e garantir que ninguém esteja acima da lei e ninguém esteja abaixo da lei, afirmou.

No início do discurso, Dodge disse estar ciente “da enorme tarefa” do MP neste momento “e da legitima expectativa de que seja cumprida com equilíbrio, firmeza e coragem, com fundamento na Constituição e nas leis”.

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Tropa de choque de Temer se movimenta contra novas denúncias

Dodge foi nomeada por Michel Temer graças a uma quebra na tradição dos procuradores-gerais. Desde 2003, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assumiu a Presidência da República, ele passou a nomear como PGR sempre o nome mais votado na lista tríplice produzida pelo Ministério Público como sugestão ao Palácio do Planalto. Dilma Rousseff (PT) manteve a tradição, mas Temer a quebrou e não nomeou Nicolao Dino, o mais votado, como PGR, escolhendo Dodge, a segunda colocada.

Dino é um nome próximo a Rodrigo Janot, de quem Dodge é tida como adversária dentro do Ministério Público. Ambos protagonizaram discussões públicas e disputas internas, que culminaram na ausência de Janot na posse desta segunda-feira 18.

Na Lava Jato, a principal missão de Dodge pode ser a de dar continuidade à investigação contra Michel Temer. Para isso é preciso, no entanto, que o STF e a Câmara autorizem o andamento da segunda denúncia contra Temer feita por Rodrigo Janot, pelos crimes de obstrução de justiça e organização criminosa.

Como a denúncia é parcialmente baseada na delação da JBS, envolta em suspeita de irregularidades, o Supremo precisa decidir sobre sua validade, o que deve ocorrer na quarta-feira. Caso o STF permita o avanço da ação, será a vez da Câmara avaliar a denúncia, como fez no início de agosto, quando decidiu barrar a ação por corrupção. A tropa de choque de Temer já está pronta para agir novamente e evitar a investigação do presidente da República.

Fonte: https://www.cartacapital.com.br/politica/mp-deve-garantir-que-ninguem-esteja-acima-da-lei-diz-dodge

Os generais Mourão e o perigo do autoritarismo redentor

O Estado Novo e a ditadura civil-militar de 1964 dependeram da atuação central de um certo general Mourão. Em 1937, Olimpío Mourão Filho foi responsável por redigir o plano Cohen, um documento falsamente atribuído aos comunistas e utilizado como pretexto para a consolidação da ditadura de Getúlio Vargas.

Quase 30 anos depois, o mesmo general ordenou que as tropas da 4ª Divisão de Infantaria, sediadas em Juiz de Fora, marchassem rumo ao Rio de Janeiro para concretizar um golpe de Estado a partir do qual se consolidou uma ditadura de mais de 20 anos.

Em 2017, um novo general Mourão alinha-se a seu antecessor homônimo na busca por uma saída autoritária. Em uma palestra promovida pela maçonaria em Brasília, Antônio Hamilton Mourão, secretário de economia e finanças do Exército, defendeu de forma aberta uma possível intervenção das Forças Armadas caso as instituições “não resolvam o problema político”.

Segundo o general, ou o Judiciário retira da vida pública “esses elementos envolvidos em todos os ilícitos” ou o Exército terá de “impor isso”. Ele afirmou que não existe uma fórmula de bolo para uma revolução ou uma intervenção, mas há “planejamentos muito bem feitos”.

Exonerado em 2015 do Comando Militar do Sul pelo comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, o general Mourão ocupa uma função burocrática atualmente. Na ocasião, ele foi afastado após criticar o governo de Dilma Rousseff.

Há dois anos, Mourão chegou a afirmar em uma apresentação que a mera substituição da petista, embora necessária em sua visão, não traria uma mudança significativa no “status quo”, que dependeria do “despertar para a luta patriótica.”

É difícil medir se o discurso de Mourão ainda é minoritário nas Forças Armadas. Em 2016, o general Villas Bôas disse haver chance zero para a volta dos militares ao poder e chamou de “tresloucados” os que pensam diferente.

O desembaraço com que Mourão tem defendido uma atuação do Exército na política mostra, porém, como há cada vez menos constrangimentos das viúvas da ditadura em defender seus planos autoritários para o País, ao utilizar a própria defesa dos tempos de repressão como argumento para uma intervenção na atualidade.

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Na palestra, Mourão afirma que há um incômodo de “sua geração” com os “sucessivos ataques” ao Exército, feitos, segundo ele, de “forma covarde” e “não coerente com os fatos que ocorreram no período de 1964 a 1985”. O general cita companheiros que reclamam de terem buscado “fazer o melhor” naqueles anos e continuam a levar “pedradas de todas as formas”.

Mesmo que seja “tresloucada”, para utilizar uma definição de Villas Bôas, a opinião de Mourão viceja a partir de dois contextos preocupantes. Em primeiro lugar, a tentativa de desenterrar os crimes da ditadura durante o governo de Dilma pela Comissão da Verdade, inclusive com o objetivo de punir militares que praticaram torturas e assassinatos, gerou rancores em setores mais autoritários do Exército. A declaração de Mourão sobre os ataques “covardes” que a instituição sofreu por sua atuação entre 1964 e 1985 não poderia ser mais clara: há militares que jamais aceitaram a revisão de seus erros.

Além disso, alguns deles buscam reconstruir a defesa dos tempos de ditadura a partir do apoio popular crescente à intervenção. Assim como certos militares, muitos civis saudosos dos tempos de repressão têm desfilado em atos políticos a defender a mesma tese.

Há ainda cada vez mais representantes na Câmara dispostos a celebrar o passado autoritário, a exemplo de Jair Bolsonaro. Na sessão que afastou Dilma da Presidência, o deputado fez uma defesa entusiasmada do período ao celebrar o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI-CODI, órgão responsável por inúmeros assassinatos e sessões de tortura de militantes de esquerda. Na ocasião, Bolsonaro referiu-se a Ustra como o “terror” de Dilma. A ex-presidenta integrou a luta armada nos anos 1960 e 1970 e foi torturada pelos militares.

Gera ainda mais preocupação a declaração de Mourão estar relacionada a uma necessidade de a Justiça afastar “os elementos envolvidos em todos os ilíticos”. Embora haja graves acusações contra diversos integrantes da classe política, a lógica de ser possível eliminá-los sumariamente parece sugerir à Justiça atuar de forma açodada nas punições, sem respeitar o devido processo legal e o direito de defesa.

Se a atuação recente do Judiciário merece críticas por sua sede na busca por condenações, estimular essa celeridade só pode originar-se de um pensamento puramente autoritário, que não reconhece direitos aos adversários.

Campanhas de purificação contra a corrupção costumam preceder intervenções militares no Brasil. O movimento tenentista que antecedeu a revolução de 1930 denunciava a corrupção do sistema eleitoral comandado pelos oligarcas da Primeira República. A ditadura civil-militar de 1964 nutriu-se de acusações de corrupção contra João Goulart e seu antecessor Juscelino Kubitschek e chamou-se de “redentora”.

É importante estar atento à reaproximação crescente entre o autoritarismo e o discurso contra a corrupção. Se a Comissão da Verdade não foi suficiente para o conjunto das Forças Armadas revisarem seu passado, há sempre risco de as intenções do atual general Mourão e seu antecessor homônimo prevalecerem no futuro.

Fonte: https://www.cartacapital.com.br/politica/os-generais-mourao-e-o-autoritarismo-redentor

Ministro convoca o comandante do Exército para avaliar punição a general

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, pediu explicações ao comandante do Exército sobre a fala de um general da ativa sugerindo que pode haver intervenção militar caso o Judiciário não consiga resolver “o problema político” —uma referência à miríade de casos de corrupção em apuração no país.

Em nota, o ministro fala que foram discutidas “medidas cabíveis a serem tomadas” em relação ao general Antonio Hamilton Mourão, secretário de Finanças do Exército. A nota não diz se algo será feito, mas a rigor ele pode ser punido porque a legislação veda a oficiais manifestações sobre o quadro político-partidário sem autorização expressa do Comando do Exército.

O comandante da Força, general Eduardo Villas Bôas, não fez comentários. Cabe a ele, legalmente, decidir o que fazer com Mourão.

“Reitera o ministro da Defesa que as Forças Armadas estão plenamente subordinadas aos princípios constitucionais e democráticos. Há um clima de absoluta tranquilidade e observância aos princípios de disciplina e hierarquia”, diz a nota.

Em palestra numa loja maçônica de Brasília na sexta (15), Mourão respondeu a uma pergunta sobre a eventualidade de uma intervenção militar constitucional. Disse que os militares poderão ter de “impor isso” e que essa “imposição não será fácil”.

O governo passou a segunda-feira avaliando como responderia ao caso. O Planalto considerou a frase de Mourão desastrosa, mas havia a preocupação de não ampliar a repercussão do episódio. Por outro lado, até pela viralização do episódio na internet, a Defesa julgou melhor enquadrar o general.

Na avaliação do governo, o episódio foi isolado e o general, reincidente nas polêmicas. Em 2015, ele perdeu o cargo de comandante da região Sul após ter feito duras críticas à classe política e exaltado a “luta patriótica”. Além disso, um quartel sob sua jurisdição prestou uma homenagem ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que chefiou o DOI-Codi, centro de detenção e tortura do regime militar (1964-85). Ustra havia morrido naquele ano.

Mourão foi transferido para um cargo compatível com sua patente, a mais alta, de general de Exército, assumindo a secretaria de Finanças da Força. A função, contudo, é considerada burocrática.

O general é um dos mais respeitados comandantes do Exército, o que relativiza a avaliação do governo sobre o episódio. Segundo disse, em reserva, um oficial superior à Folha, suas posições costumam reverberar nos meios militares, mesmo que não haja concordância plena com elas.

A reportagem não conseguiu falar com o militar. No domingo (17), ele disse ao jornal “O Estado de S. Paulo” que não pretendia insuflar ninguém ou defender a intervenção, e que apenas respondeu a uma pergunta.

Fonte: http://m.folha.uol.com.br/poder/2017/09/1919553-ministro-convoca-o-comandante-do-exercito-para-avaliar-punicao-a-general.shtml

Janot denuncia Temer, Joesley e mais 7 ao STF; presidente é acusado de organização criminosa e obstrução de Justiça

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (14) uma nova denúnciacontra o presidente Michel Temer, desta vez pelos crimes de obstrução à Justiça e organização criminosa.

O STF somente poderá analisar a denúncia contra Temer se a Câmara autorizar. Em agosto, a Câmara rejeitou a primeira denúncia de Janot contra Temer, por corrupção passiva.

Outras oito pessoas são alvos da mesma denúncia – dois ministros, dois ex-ministros, dois ex-deputados, um empresário e um executivo (saiba o que disseram os denunciados). De acordo com o procurador, os políticos denunciados (todos do PMDB) arrecadaram mais de R$ 587 milhões em propina.

O empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F, e o executivo Ricardo Saud, ambos delatores da Operação Lava Jato, estão entre os denunciados, mas somente pelo crime de obstrução de Justiça.

Além de Temer, Joesley e Saud, também foram denunciados nesta quinta:

  • ELISEU PADILHA (PMDB-RS), ministro da Casa Civil
  • MOREIRA FRANCO (PMDB-RJ), ministro da Secretaria-Geral
  • EDUARDO CUNHA (PMDB-RJ), ex-deputado
  • HENRIQUE ALVES (PMDB-RN), ex-deputado e ex-ministro
  • GEDDEL VIEIRA LIMA (PMDB-BA), ex-ministro
  • RODRIGO ROCHA LOURES (PMDB-PR), ex-deputado e ex-assessor de Temer
Janot rescinde acordo de delação premiada dos executivos da J&F

Janot rescinde acordo de delação premiada dos executivos da J&F; 

Rescisão do acordo de delação

Em razão das informações que forneceram ao se tornarem colaboradores, Joesley e Saud tinham a garantia de que não seriam denunciados nem presos, mas Janot entendeu que houve descumprimento dos termos do acordo de delação premiada.

Agora, o procurador-geral decidiu rescindir o compromisso, ressalvando que as provas obtidas a partir da colaboração dos delatores permanecem válidas.

Segundo a assessoria de imprensa da PGR, a rescisão do acordo de colaboração ainda precisará ser confirmada pelo ministro Edson Fachin.

Assim que o pedido chegou ao STF, o ministro se reuniu com os juízes auxiliares de seu gabinete para analisar a rescisão.

O principal benefício obtido inicialmente pelos executivos da J&F era a imunidade penal, pela qual não podiam ser denunciados e processados criminalmente pelos crimes que confessaram.

Na rescisão do acordo, Janot destacou a omissão, pelos delatores, da suposta ajuda do ex-procurador Marcello Miller, quando ainda integrava a PGR, nas negociações para obter o acordo.

“Os colaboradores em nenhum momento relataram que o ex-procurador Marcello Miller vinha, ainda como membro do Ministério Público, auxiliando a entabulação de acordos com o próprio parquet, apesar de existirem trechos no mencionado áudio onde nos conduzem à conclusão de que Marcelo Miller, ainda na condição de procurador da República, auxiliou-os a escamotear e manipular os fatos e provas, filtrar informações e ajustar depoimentos”, diz o documento.

Outro fato escondido, segundo Janot, é a existência de uma conta de Ricardo Saud no Paraguai não informada inicialmente.

Organização criminosa

Rodrigo Janot afirma na denúncia que Temer liderava a suposta organização criminosa. Segundo o procurador-geral, ele, Cunha, Henrique Alves, Geddel, Rocha Loures, Padilha e Moreira Franco, todos integrantes do PMDB, formaram um núcleo político para cometer crimes contra empresas e órgãos públicos.

De acordo com a denúncia, os integrantes do suposto esquema receberam valores de propina que, somados, superam R$ 587,1 milhões, arrecadados de empresas e órgãos públicos, entre os quais ais Petrobras, Furnas, Caixa Econômica Federal, Ministério da Integração Nacional, Ministério da Agricultura, Secretaria de Aviação Civil e Câmara dos Deputados.

“O esquema desenvolvido no âmbito desses órgãos permitiu que os ora denunciados recebessem, a título de propina, pelo menos R$ 587.101.098,481. Além disso, os crimes praticados pela organização geraram prejuízo também aos cofres públicos.”

Rodrigo Janot afirmou na denúncia que “diversos elementos de prova” apontam que Michel Temer tinha o “papel central” na suposta organização criminosa. O chefe da PGR relata que, “ao entrar na base do governo Lula, mapeou, de pronto, as oportunidades na Petrobras.

Janot reproduz trecho da delação do ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró para ilustrar a suposta ascendência de Temer na apontada organização criminosa. “[…] em 2006 já havia a perspectiva de negócios grandes na Diretoria Internacional [da Petrobras], o que certamente já era do conhecimento do PMDB”, diz trecho da denúncia, referindo-se ao depoimento de Cerveró.

A peça de denúncia destaca que Temer, Henrique Alves e Eduardo Cunha eram os responsáveis pela obtenção de espaços para o grupo político junto ao governo do PT. Segundo Janot, o poderio desse grupo vinha da influência que eles detinham sobre a bancada do PMDB na Câmara dos Deputados, “instrumentalizando-a para criar as condições necessárias ao bom posicionamento da organização criminosa”.

“No caso em tela, no lugar de negociações políticas, temos negociatas ilícitas nas quais a moeda de troca não era simplesmente divisão de poder para governar, mas sim a compra de apoio político com a utilização de dinheiro público.”

De acordo com o procurador-geral, em lugar de negociações políticas, havia “negociatas ilícitas” destinadas à compra de apoio político com dinheiro público.

“A questão central aqui, que torna a conduta dos denunciados ilícita, é diversa. No caso em tela, no lugar de negociações políticas, temos negociatas ilícitas nas quais a moeda de troca não era simplesmente divisão de poder para governar, mas sim a compra de apoio político com a utilização de dinheiro público”, diz o texto.

'Temer comandou grupo que atuou para atrapalhar Lava Jato', diz Janot

‘Temer comandou grupo que atuou para atrapalhar Lava Jato’, diz Janot 

Obstrução de justiça

Na parte sobre obstrução às investigações, Janot afirma que os resultados da Lava Jato geraram “preocupação” nos integrantes da organização criminosa, “em especial pertencentes ao núcleo político e econômico do grupo do chamado ‘PMDB da Câmara dos Deputados’.”

O “temor”, diz Janot, fez com que a organização criminosa elaborasse “vários planos e ações para obstrução” da Java Jato, com utilização “desvirtuada” das funções e prerrogativas do Poder Legislativo, assim como “cooptação e tentativa de cooptação de membros do Poder Judiciário”.

Rodrigo Janot afirma que o grupo buscou a desestruturação, “por vingança e precaução”, de futuras atuações do Ministério Público articulando, por exemplo, a aprovação da lei de abuso de autoridade.

“Ao denunciado Michel Temer imputa-se também o crime de embaraço às investigações relativas ao crime de organização criminosa, em concurso com Joesley Batista e Ricardo Saud, por ter o atual presidente da República instigado os empresários a pagarem vantagens indevidas.”

Entre as ações que configuram obstrução, Janot cita o “pacto de silêncio”entre Funaro e Joesley Batista para que eles não fechassem acordo de delação. Funaro é apontado como operador de propinas do PMDB. Os dois se tornaram delatores.

Janot também diz que Temer “instigou” Joesley a pagar “vantagens indevidas” a Eduardo Cunha para que o ex-deputado não feche acordo delação.

“Ao denunciado Michel Temer imputa-se também o crime de embaraço às investigações relativas ao crime de organização criminosa, em concurso com Joesley Batista e Ricardo Saud, por ter o atual presidente da República instigado os empresários a pagarem vantagens indevidas a Lúcio Funaro [apontado como operador financeiro de políticos do PMDB] e Eduardo Cunha, com a finalidade de impedir estes últimos de firmarem acordo de colaboração”, diz o texto da denúncia.

A denúncia aponta ainda que os nove acusados utilizaram dois “mecanismos de ocultação e dissimulação” de dinheiro de origem ilícita:

  • transferências bancárias internacionais, na maioria das vezes com o mascaramento em três ou mais níveis – ou seja, movimentações sucessivas com o objetivo de distanciar a origem dos valores.
  • aquisição de instituição financeira, com sede no exterior, para tentar controlar e ludibriar as práticas de “compliance” (normas de ética, conduta e boa governança em empresas) e, desta forma, dificultar o trabalho dos investigadores.

Segunda denúncia contra Temer

Esta é a segunda acusação formal de Janot contra Temer. Na primeira, apresentada em junho, o presidente foi acusado do crime de corrupção passiva.

Mas a Câmara rejeitou o prosseguimento do processo para o Supremo Tribunal Federal.

Plenário da Câmara rejeita denúncia contra Temer

Plenário da Câmara rejeita denúncia contra Temer 

A nova denúncia contra Temer é apresentada depois de a PGR abrir um processo de revisão da delação premiada de executivos da JBS, cujos benefícios foram temporariamente suspensos em razão do fato de o Ministério Público Federal entender que pode ter havido omissão nas informações. Nesta quinta, a Procuradoria Geral da República anunciou que o acordo de colaboração premiada foi rescindido.

A defesa de Temer chegou a pedir ao STF o afastamento de Janot de investigações contra ele e também a suspensão de uma nova denúncia, mas o ministro Edson Fachin, a quem cabe a decisão, negou os pedidos.

Temer, então, recorreu ao plenário da Corte, mas o STF manteve Janot à frente das investigações.

A denúncia desta quinta foi protocolada a poucos dias de Janot deixar o cargo e, caso tenha prosseguimento no STF, passará a ser conduzida por Raquel Dogde, indicada para o comando da PGR por Temer. Ela toma posse no próximo dia 18 de setembro.

Ministro Edson Fachin vai decidir se manda ou não segunda denúncia para a Câmara

Ministro Edson Fachin vai decidir se manda ou não segunda denúncia para a Câmara 

Tramitação

Assim como na primeira denúncia, como o alvo é o presidente da República, a Constituição determina que o andamento do processo no Supremo Tribunal Federal (STF) depende de autorização de pelo menos 342 dos 513 deputados federais.

Na Câmara, a nova denúncia deve seguir a mesma tramitação da primeira:

>> STF aciona a Câmara – Após o oferecimento de denúncia pelo Ministério Público, a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, envia à Câmara uma solicitação para a instauração do processo. Cabe ao presidente da Câmara receber o pedido, notificar o acusado e despachar o documento para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.

>> Prazo para a defesa – A partir da notificação, a defesa de Temer tem até dez sessões do plenário da Câmara para enviar os argumentos, se quiser.

Para a contagem do prazo, é levada em consideração qualquer sessão de plenário, seja de votação ou de debate, desde que haja quórum mínimo para abertura (51 deputados presentes). Se houver mais de uma sessão no dia, apenas uma será validada. Não são computadas as sessões solenes e as comissões gerais.

>> CCJ analisa – Assim que a defesa entregar as alegações, o regimento determina que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) terá prazo de até cinco sessões do plenário para se manifestar sobre a denúncia encaminhada pela Procuradoria Geral da República (PGR).

Nesse período, o relator a ser designado pelo presidente da CCJ deverá apresentar um parecer, no qual se manifestará, concordando ou não com o prosseguimento da denúncia.

Os membros da CCJ poderão pedir vista do processo (mais tempo para análise) por duas sessões plenárias antes de discutir e votar o parecer, que será pelo deferimento ou indeferimento do pedido de autorização para instauração de processo.

Antes de ser votado no plenário, o parecer da CCJ terá de ser lido durante o expediente de uma sessão, publicado no “Diário da Câmara” e incluído na ordem do dia da sessão seguinte à do recebimento pela mesa diretora da Câmara.

O regimento não define quando o presidente da CCJ deverá escolher o relator, mas o deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG) poderá indicar qualquer um dos outros 65 membros titulares da comissão.

>> Decisão pelo plenário – O parecer discutido na comissão é incluído na pauta de votação do plenário principal da Câmara na sessão seguinte deo recebimento pela Mesa Diretora, depois da apreciação pela CCJ.

Após discussão, o relatório será submetido a votação nominal, pelo processo de chamada dos deputados. O regimento define que a chamada dos nomes deve ser feita alternadamente, dos estados da região Norte para os da região Sul e vice-versa.

Os nomes serão enunciados, em voz alta, por um dos secretários da Casa. Os deputados levantarão de suas cadeiras e responderão “sim”, “não” ou “abstenção”, assim como na votação do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

>> Aprovação ou rejeição da denúncia

  • Aprovação – A denúncia seguirá para o STF se tiver o apoio de pelo menos dois terços dos 513 deputados, ou seja, 342 votos. Se ficar admitida a acusação, após a aprovação do parecer, será autorizada a instauração do processo no Poder Judiciário. No STF, os 11 ministros votam para decidir se o presidente Michel Temer vira réu. Nesse caso, Temer é afastado do cargo por 180 dias. O presidente só perde o cargo defintivamente se for condenado pelo Supremo. Quem assume o cargo é presidente da Câmara, que convoca eleições indiretas em um mês. Segundo a Constituição, o novo presidente da República seria escolhido pelo voto de deputados e senadores.
  • Rejeição – No caso de rejeição da denúncia pela Câmara, o efeito ainda é incerto, segundo a assessoria de imprensa do STF, e pode ser definido pelos ministros ao analisar esse caso específico. Se a denúncia for rejeitada pelos deputados, o Supremo fica impedido de dar andamento à ação, que será suspensa e só será retomada depois que Temer deixar a Presidência.

Fonte: https://g1.globo.com/politica/noticia/janot-denuncia-temer-joesley-e-mais-7-ao-stf-por-obstrucao-e-organizacao-criminosa.ghtml

Temer é acusado de liderar organização que desviou 587 milhões

A três dias de deixar o cargo, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou nesta quinta-feira 14 a segunda denúncia contra Michel Temer, desta vez por organização criminosa e obstrução de Justiça.

Com mais de 200 páginas, a nova acusação tem como base a delação da JBS, atualmente suspensa pelo Supremo Tribunal Federal, e a colaboração de Lúcio Funaro, operador do PMDB ligado ao ex-deputado Eduardo Cunha, preso em Curitiba.

Janot denunciou a cúpula do PMDB da Câmara, alvo de um inquérito da Polícia Federal enviado ao STF na segunda-feira 11. Segundo a investigação, integram a organização liderada por Temer os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral) e os ex-deputados Eduardo Cunha (RJ), Geddel Vieira Lima (BA) e Henrique Alves (AL). Os três últimos estão presos.

Segundo o PGR, o esquema desenvolvido permitiu que os denunciados recebessem pelo menos 587 milhões de reais em propina. Segundo relatório da PF da segunda-feira 11, Temer se beneficiou de 31,5 milhões de reais ao utilizar terceiros para executar tarefas ilegais.

Segundo a denúncia, eles praticaram ações ilícitas em troca de propina por meio da utilização de diversos órgãos públicos, como Petrobras, Furnas, Caixa Econômica, Ministério da Integração Nacional e Câmara dos Deputados. A Procuradoria acusa Temer de ter atuado como líder da organização criminosa desde maio de 2016.

De acordo com o relatório dos agentes federais que embasa a denúncia de Janot, a soma dos desvios que beneficiaram diretamente Temer incluem 500 mil reais pagos a Rodrigo Rocha Loures, o “homem da mala”, 10 milhões de reais em doações pelo Grupo Odebrecht, 20 milhões de reais referentes ao PAC SMS da empreiteira e 1 milhão de reais supostamente pago ao coronel João Baptista Lima, pelo Grupo J&F Investimentos.

Além da acusação de chefiar a organização, Temer foi denunciado pelo crime de obstrução de Justiça, baseado principalmente na delação da JBS. Michel Temer é acusado de instigar Joesley Batista a pagar, por meio de Ricardo Saud, vantagens a Roberta Funaro, irmã de Lúcio Funaro.

Os três são denunciados por embaraçar as investigações de crimes praticados pela organização criminosa liderada por Temer.

Organização criminosa

Na denúncia contra a organização criminosa, Janot faz um registro histórico das nomeações e cargos ocupados pela organização criminosa desde a chegada de Lula ao poder, em 2002.A partir de 2016, o grupo do “PMDB da Câmara” passaram a orbitar, diz Janot, em torno de dois interesses primordiais: a prorrogação da CPMF e a a ampliação da base do governo em razão do processo do “mensalão”.

Os temas foram negociados, diz a denúncia, por Temer e Henrique Alves, que teriam trocado o apoio ao governo de Lula em troca de cargos chaves, tais como a Presidência de Furnas, a Vice-Presidência de Fundos de Governo e Loterias na Caixa Econômica, o Ministério da Integração Nacional, a Diretoria Internacional da Petrobras, entre outros.

Segundo a denúncia, o papel de negociar os cargos na organização criminosa era desempenhado por Temer por ter sido ele o grande articulador para a unificação do PMDB em torno do governo Lula.

Os outros integrantes da organização, diz a acusação, eram responsáveis pelos assuntos ilícitos de interesse direto de Temer. A organização adquiriu, segundo Janot, caráter transnacional pelos mecanismos de lavagem de dinheiro utilizados.

A denúncia explica ainda a rápida ascensão de Cunha no PMDB por sua “atuação direta e incisiva na arrecadação de valores lícítos ou ilícitos”. O ex-deputado teria, segundo Janot, deixado de lado o acordo de alternância entre o PT e o PMDB na presidência da Câmara ao se lançar como candidato ao comando da Casa. Ainda segundo a denúncia, os caciques do PMDB achavam que o governo não estava agindo para barrar a Operação Lava Jato.

Janot também destaca que a organização criminosa continuou a cometer crimes nos anos de 2015, 2016 e 2017.

O que ocorre com a denúncia?

Há dúvidas sobre como tramitará a nova denúncia. O STF precisa enviar a acusação à Câmara para os deputados analisarem se autorizam a Corte a transformar Temer em réu, mas há um impasse em relação à delação da JBS.

A Corte deixou para a próxima semana a análise sobre a validade das provas apresentadas pelos executivos da empresa, após a revelação de que o ex-procurador Marcelo Miller atuou na colaboração quando ainda estava no cargo. Se a Corte só encaminhar a denúncia na próxima semana, Janto não estará mais à frente do cargo: ele será substituído por Raquel Dodge a partir da segunda 18.

Leia também: STF adia decisão sobre delação da JBS 

Caso chegue à Câmara, a denúncia só voltará ao STF caso se terços dos deputados, ou 342 parlamentares, votarem em favor de sua continuidade. Na primeira denúncia apresentada por Janot, baseada nas relações entre Temer e Rocha Loures, os deputados barraram a acusação. Foram 263 votos contra a denúncia, 227 favoráveis, duas abstenções e 19 ausências.

Fonte: https://www.cartacapital.com.br/politica/temer-e-acusado-de-liderar-organizacao-que-desviou-587-milhoes

Reforma da Previdência deve ser votada em outubro, diz Meirelles

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou nesta segunda-feira (11) esperar que a reforma da Previdência seja votada no Congresso em outubro.

“As discussões sobre a reforma da Previdência foram retomadas e a expectativa é que seja votada no Congresso em outubro”, escreveu Meirelles em conta no Twitter.

O ministro também disse que, após as alterações no sistema previdenciário, o governo deve discutir a reforma tributária, “com objetivo de simplificar o sistema” e ainda que a nova lei de recuperação judicial será debatida nas próxima semanas.

Diversos integrantes do governo e da base do presidente Michel Temer têm reforçado a retomada de negociações para aprovação da reforma da Previdência, inclusive com expectativa para outubro.

Na semana passada, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que a reforma da Previdência não tinha votos para ser aprovada em setembro, mas que previa a aprovação em outubro.

PLANEJAMENTO

O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, também reforçou nesta segunda a necessidade da reforma da Previdência como essencial para o ajuste fiscal no momento em que o governo busca retomar as negociações no Congresso para que a medida seja aprovada.

“Não há nenhuma possibilidade de estabelecer equilíbrio fiscal no país sem enfrentar a reforma da Previdência”, disse ele durante apresentação em evento em São Paulo. “Ou enfrentamos isso ou não teremos estabilização na área fiscal”, completou.

Dyogo ponderou que, do ponto de vista econômico, o Brasil já está mostrando recuperação após profunda recessão. Porém, ele destacou a instabilidade política como um risco a esse processo.

As expectativas agora giram em torno das possibilidades de uma eventual segunda denúncia contra o presidente Michel Temer, após a prisão temporária e a suspensão dos benefícios da colaboração firmada pelos delatores da J&F Joesley Batista e Ricardo Saud no fim de semana.

A delação dos executivos da J&F serviram de base para a apresentação da primeira denúncia contra Temer pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

“Não podemos tirar do cenário os impactos da instabilidade política sobre a atividade econômica. Ela deverá estar presente por algum tempo”, disse ele.

Questionado sobre a reforma tributária, Oliveira afirmou que o governo precisa primeiro avançar com a questão da Previdência para então buscar renovar o sistema tributário. Porém, levantou dúvidas sobre a viabilidade política disso.

“Eu sinceramente não tenho muita segurança na viabilidade política de se fazer isso com as dimensões do Brasil, com as complexidades econômicas e políticas do Brasil”, afirmou.

O governo prepara para o próximo dia 22 de setembro a divulgação do relatório de receitas e despesas, e a expectativa do ministro do Planejamento é de um anúncio de descontingenciamento de R$ 8 bilhões a R$ 10 bilhões. Os números, porém, ainda não foram fechados de acordo com o ministro.

“Não há espaço para aumento das despesas, mas será possível manter o funcionamento normal dos órgãos”, disse ele.

Falando a jornalistas após o evento, Oliveira confirmou ainda que o governo pediu ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social) a devolução de recursos no valor total de R$ 50 bilhões em 2017 e R$ 130 bilhões em 2018. Segundo ele, o banco ainda está avaliando suas condições.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/09/1917422-reforma-da-previdencia-deve-ser-votada-em-outubro-diz-meirelles.shtml

Com sangria de Temer controlada, reforma da Previdência volta à pauta

Principal objetivo da equipe econômica do governo de Michel Temer, a reforma da Previdência tem avançado de maneira inversamente proporcional à delação da JBS.

Na terça-feira 5, um dia após o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, revelar a existência de um áudio entre Joesley Batista e Ricardo Saud que indicava uma atuação irregular do ex-procurador Marcelo Miller no acordo de colaboração, Arthur Maia (PPS-BA), relator da reforma da Previdência na Câmara, já adiantava a volta do tema à pauta. “Precisamos recuperar esse tempo perdido”, afirmou o deputado à mídia.

Quando as primeiras denúncias e gravações de executivos da JBS contra Temer vieram a público, em maio deste ano, os parlamentares preferiram congelar as discussões que pretendem elevar a idade mínima da aposentadoria de homens para 65 anos e de mulheres para 62 anos.

Dias após a revelação da comprometedora gravação entre Temer e Joesley Batista registrada em 7 de março, Maia afirmou que não havia “espaço para avançar” com as alterações nas aposentadorias. “É hora de arrumar a casa e esclarecer fatos obscuros”, afirmou o deputado em maio deste ano.

Antes do pronunciamento de Janot que indicou uma possível revisão do acordo de delação da JBS, os parlamentares continuavam a tratar o tema das aposentadorias com cautela. Em agosto, Rodrigo Maia, presidente da Câmara, afirmou que naquela ocasião ainda não havia votos suficientes para aprovar as alterações na Previdência. Por se tratar de uma emenda à Constituição, a proposta depende do apoio de 308 dos 513 deputados para avançar.

Quando o presidente da Câmara fez sua previsão negativa, calculava que os deputados ainda precisariam se debruçar sobre a segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República contra Temer.

Após a prisão de Batista e Saud neste domingo 10, o STF pode suspender na quarta-feira 13 a nova acusação de Janot contra o peemedebista por organização criminosa e obstrução da Justiça, em parte baseada em provas e relatos de executivos da JBS. Se a denúncia tiver sua continuidade barrada pela Corte, abre-se caminho para a reforma da Previdência tornar-se o principal debate na Câmara neste segundo semestre.

Henrique Meirelles, ministro da Fazenda, aproveitou os ventos favoráveis para o governo nesta segunda-feira 11 ao anunciar em sua conta no Twitter que as “discussões sobre a reforma da Previdência foram retomadas” e arriscou uma nova previsão para a aprovação da proposta: outubro deste ano. A declaração alinhou-se ao otimismo do “mercado”, que animou-se com uma suposta “melhora no cenário político doméstico” em consequência da crise da delação da JBS.

O ânimo é tamanho que a Bolsa brasileira registrou um recorde nesta segunda 11 ao superar pela primeira vez na história 74 mil pontos. O dólar também está em trajetória de queda, cotado a 3,084. A declaração de Meirelles sobre a volta da reforma da Previdência também deve incentivar positivamente os indicadores financeiros.

Com o impasse da delação da JBS, Temer se fortalece para tentar ampliar sua base para aprovar a reforma. Na sessão que barrou a denúncia por corrupção passiva, em 2 de agosto, o peemedebista obteve 263 votos favoráveis, mas também foi beneficiado com ausências e abstenções. Se forem considerados todos os posicionamentos dos deputados que favoreceram o presidente, incluindo os ausentes e aqueles que não votaram, Temer terminou a sessão com 284 deputados a beneficiá-lo.

Na ocasião, diversos deputados da base aliada simpáticos a mudanças na Previdência votaram pelo prosseguimento da denúncia. O PSDB, por exemplo, defende a proposta de Temer para as aposentadorias, embora tenha rachado durante a análise da acusação contra o peemedebista. A legenda orientou a bancada para votar pelo avanço da denúncia, mas o partido se dividiu. Dos 47 deputados tucanos, 22 votaram contra a acusação, 21 a favor, e quatro se ausentaram.

Além de elevar a idade mínima, o projeto de Arthur Maia quer impor um período mínimo de contribuição para os trabalhadores se aposentarem. De acordo com o texto atual, será necessário contribuir por no mínimo 25 anos para se obter o benefício parcial. Para garantir uma aposentadoria integral, a contribuição prevista é de 40 anos.

Fonte: https://www.cartacapital.com.br/politica/com-sangria-de-temer-controlada-reforma-da-previdencia-volta-a-pauta

Bovespa fecha em alta de 1,7% e atinge nova máxima histórica

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, a B3, fechou nesta segunda-feira (11) no maior patamar de sua história, acima dos 74 mil pontos, batendo recorde anterior de 2008.

O Ibovespa avançou 1,7%, a 74.319 pontos, diante de uma visão mais otimista em relação à política brasileira e com o cenário externo também mais favorável a ativos de risco, segundo a Reuters. Veja a cotação

O índice também estabeleceu nova máxima recorde intradia neste pregão, ao alcançar 74.635 pontos no melhor momento da sessão.

Evolução do Ibovespa (Foto: Arte G1)

Evolução do Ibovespa (Foto: Arte G1) 

A maior pontuação de fechamento até então tinha sido registrada em 20 maio de 2008, quando o Ibovespa atingiu 73.516 pontos, embalada pelo grau de investimento (selo de país bom pagador) atribuído naquele ano ao Brasil pelas principais agências mundiais de classificação de risco e alguns meses antes da turbulência provocada pela quebra do banco americano Lehman Brothers, que jogou o sistema financeiro mundial no meio de uma onda de pânico.

Na parcial de 2017, o Ibovespa acumula alta de 23,4%, após uma valorização de 39% em 2016.

Cenário local e externo

O índice subiu nesta segunda-feira amparado no cenário político mais ameno diante da perspectiva de enfraquecimento de nova denúncia contra o presidente Michel Temer, especialmente após a prisão de Joesley Batista, dono da JBS, segundo a Reuters. Assim, o governo estaria melhor posicionado para avançar com a sua agenda de reformas no Congresso.

O exterior também favoreceu o tom positivo, com a redução das preocupações com as tensões geopolíticas após a Coreia do Norte não conduzir novos testes nucleares e com alívio após o enfraquecimento da tempestade Irma. Em Wall Street, o S&P 500 avançou 1,1%.

Destaques do dia

Eletrobras liderou os avanços do dia, com valorização de mais de 7%, com as perspectivas de avanço nos planos de privatização da empresa.

JBS ON fechou em queda de 0,73%, pior desempenho do índice, tendo no radar a venda da Moy Park para a Pilgrim’s Pride, que tem a própria JBS como acionista majoritária, por US$ 1 bilhão de dólares. Segundo analistas do BTG Pactual, a primeira leitura para o acordo era levemente negativa, diante da preferência do mercado pela redução da alavancagem da JBS através de uma venda a uma empresa independente. Também como pano de fundo estava o pedido de prisão de executivos da controladora J&F.

Petrobras PN avançou 1,9% e Petrobras ON ganhou 2,17%, tendo no radar os desinvestimentos da empresa após a petroleira iniciar processo para venda de ativos de fertilizantes e também ganhando respaldo do cenário político local mais favorável.

Vale ON teve alta de 1,77%, acompanhando a recuperação dos contratos futuros de minério de ferro na China.

Maiores valores de fechamento da Bovespa até então
Em pontos
73.51673.51673.51673.51673.51673.51673.51673.51673.07973.07972.99572.99572.76672.76672.65772.65772.60672.60672.59272.59272.29472.29420/05/200819/05/200806/09/201728/05/200808/09/201704/11/201016/05/200808/11/201005/11/201030/05/200821/05/2008020k40k60k80k
Fonte: Economatica

Histórico Ibovespa

A Bovespa está em trajetória de alta desde o início de 2016, quando acumulou valorização de 39%.

De 2013 a 2015, o índice acumulou perdas. A mínima desse ciclo de baixa foi registrada no dia 26 de janeiro de 2016, quando o Ibovespa atingiu 37.497 pontos, menor valor desde março de 2009, segundo a Economatica.

Apesar do novo recorde de patamar, a avaliação de analistas é que a bolsa brasileira está abaixo do nível de 2008 se forem considerados a inflação e o câmbio do período.

Na pontuação em dólares, o Ibovespa estaria com 24.042 pontos, ainda bem abaixo da máxima registrada no dia 19 de maio de 2008 com 44.616 pontos, segundo a Economatica. Já com o ajuste pela inflação, o Ibovespa teria atingido nesta segunda-feira 53.836 pontos, também bem abaixo da máxima de 127.960 pontos de 2008.

A carteira atual de ações do Ibovespa é composta por 59 papéis de 55 empresas. De todas as ações, 20 delas registraram em 2017 o maior valor histórico, segundo a Economatica.

Retorno da Bovespa nos últimos anos
Ganhos e perdas do Ibovespa no acumulado em cada ano
43,6543,65-41,22-41,2282,6682,661,041,04-18,11-18,117,47,4-15,5-15,5-2,91-2,91-13,31-13,3138,9438,9423,423,420072008200920102011201220132014201520162017 (parcial)-50-250255075100
Fonte: Economatica

Perspectivas

Segundo analistas ouvidos pelo G1, a tendência para o Ibovespa continua de alta, mas é de se esperar um recuo de algumas semanas nos próximos meses em meio a um processo natural de ajuste e embolso de lucros.

Entre os principais fatores que explicam a alta da Bovespa, estão:

  • Liquidez internacional elevada em meio a taxas de juros baixas nos EUA. Ou seja, o cenário externo segue favorável para o maior apetite ao risco e para o fluxo de capital estrangeiro em países como o Brasil
  • Perspectiva de continuidade de queda da taxa básica de juros (Selic), que reduz a atratividade de aplicações em renda fixa e aumenta a busca por ativos de maior risco como ações
  • Sinais de recuperação gradual da economia, o que melhora a perspectiva em relação ao resultado das empresas de capital aberto
  • Dólar em queda, o que reduzo o custo de importação de insumos e melhora as margens de lucros das empresas
  • Expectativa de avanço da agenda de reformas do governo Temer no Congresso
Movimentação de estrangeiros na bolsa
Entrada de capital externo tem superado a saída nos últimos anos, em R$ bilhões
-24,6-24,620,620,65,95,9-1,3-1,31,81,811,711,720,320,316,416,414,314,312,112,12008200920102011201220132014201520162017 (parcial)-30-20-100102030
Fonte: B3

Fonte: http://g1.globo.com/economia/mercados/noticia/bovespa-110917.ghtml