‘Intimado porra nenhuma’, afirma deputado procurado pelo Supremo

Quando um dos quatros oficiais de Justiça do STF (Supremo Tribunal Federal) recebe a incumbência de entregar uma intimação para o deputado Roberto Góes (PDT-AP), já sabe: serão muitas horas, ligações e tempo perdidos na missão de localizá-lo.

“Intimado porra nenhuma”, respondeu o parlamentar em fevereiro passado, ao telefone, para um dos oficiais do tribunal, conforme certidão lavrada por três servidores do STF e anexada aos autos de um dos seis inquéritos contra o parlamentar.

“De todos os investigados e processados perante o Supremo, o deputado é o único que adota uma postura reiterada de não se dispor a receber as comunicações processuais”, escreveram os oficiais em certidão no inquérito.

Como é alvo de dez ações penais no STF, além de investigado nos inquéritos, o ex-prefeito de Macapá (2009-2012), presidente da Federação Amapaense de Futebol e ligado à cúpula da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) tem que ser constantemente notificado para comparecer a interrogatórios ou apresentar defesas.

Góes é acusado ou suspeito de supostas irregularidades quando esteve à frente da prefeitura. No ano passado, foi condenado a dois anos e oito meses de reclusão por ter retido e usado, sob argumento de dificuldades financeiras do município, para quitar os salários dos servidores, R$ 8,5 milhões descontados da folha de pagamentos no sistema de crédito consignado.

Entre as dificuldades para localizá-lo estão as ausências na Câmara. Levantamento feito pela Folha nos registros da Casa mostra que Góes esteve ausente em 75 das 94 sessões ordinárias e extraordinárias realizadas neste ano até quarta-feira (28).

Os motivos são vários, com destaque para licenças de tratamento de saúde. Na quarta, assessores informaram que ele estava com dengue.

Em maio, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, concordou em pedir que o deputado fosse ouvido por escrito pela Polícia Federal: “Ao que tudo indica, o investigado tem empreendido formas de furtar-se às notificações”, escreveu.

Os papéis narram o périplo dos oficiais, que incluem visitar o gabinete na Câmara, procurar sua residência em Brasília e buscá-lo por telefone e aplicativos de mensagem.

Após seis visitas ao gabinete, sem sucesso, um oficial encontrou em documento do STF um endereço residencial do parlamentar. No local indicado, a portaria informou que “não havia qualquer morador naquele condomínio com o nome do parlamentar”.

O oficial conseguiu localizar Góes por telefone. O deputado disse que estava no Amapá, mas viajaria para o Qatar em seguida. O servidor então disse que, “diante da dificuldade de encontrá-lo em todas as datas” anteriores, o intimava pelo telefone a comparecer a audiência no Supremo agendada para o último dia 15 de fevereiro.

“O deputado afirmou que não viria a Brasília naquela data e que ‘não estaria intimado porra nenhuma’. Disse que o advogado entraria em contato e desligou o telefone.

OUTRO LADO

A defesa do deputado afirmou que ele deve ser procurado pelo STF para intimações em Macapá, pois se encontra “afastado em licença para tratamento de saúde”.

“Estamos peticionando em todos os inquéritos e ações penais para explicar essa situação”, informou o advogado Luís Henrique Machado.

“Não adianta os oficiais de Justiça irem ao seu gabinete em Brasília, porque ele está em licença com atestado de saúde. Pelo fato de estar afastado, ele não tem ido ao Congresso”, informou Machado.

Sobre o deputado ter usado a expressão “porra nenhuma”, a defesa disse que o parlamentar “já se retratou nos autos por um eventual mal entendido”.

O advogado afirmou ainda que o deputado tem se defendido em todas as instâncias para provar sua inocência. A defesa já recorreu à condenação do ano passado e disse que ela é “absurda”, pois o deputado não se apropriou do dinheiro e apenas o usou para quitar compromissos do próprio município.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/07/1897738-intimado-porra-nenhuma-afirma-deputado-procurado-pelo-supremo.shtml

Absolvição de Vaccari mostra que delação não é prova

O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto sofreu a sua primeira condenação na Lava Jato em setembro de 2015, cinco meses após ser preso preventivamente pela 12ª fase da Operação Lava Jato. Na ocasião, o juiz Sergio Moro sentenciou o dirigente petista a 15 anos e 4 meses de reclusão pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa. 

Na última terça-feira 27, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, sediado em Porto Alegre, concluiu a revisão do caso e decidiu absolver Vaccari. A razão apresentada pela maioria dos desembargadores da 8ª Turma da Corte não poderia ser mais embaraçosa para o magistrado da primeira instância: não se pode condenar um réu sem provas, com base apenas nos relatos de delatores.

A longa sentença derrubada pela segunda instância foi a primeira imposta a Vaccari na Lava Jato. O petista era acusado de coletar, entre outubro de 2008 e março de 2012, como doações eleitorais registradas ao PT, ao menos 4,26 milhões de reais de propinas acertadas com a Diretoria de Serviços e Engenharia da Petrobras pelo contrato do Consórcio Interpar. 

Para condená-lo, Moro mencionou declarações de cinco delatores: o doleiro Alberto Youssef, o executivo da Toyo Setal, Augusto Mendonça, os ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Pedro Barusco, além de Eduardo Leite, da Camargo Corrêa. Relator dos processos da Lava Jato no TRF da 4ª Região, João Pedro Gebran Neto entendeu que a “multiplicidade” das delações em desfavor do petista configurava prova. Foi voto vencido.

Detalhe: nos agradecimentos de um livro publicado em 2008, chamado A Aplicação Imediata dos Direitos e Garantias Individuais, Gebran Neto externa profunda admiração pelo magistrado da primeira instância. “Desde minhas primeiras aulas no curso de mestrado encontrei no colega Sergio Moro, também juiz federal, um amigo.”

O primeiro a abrir divergência com o amigo de Moro, no início de junho, foi o desembargador federal Leandro Paulsen, para quem o material probatório era insuficiente. “A existência exclusiva de depoimentos prestados por colaboradores não é capaz de subsidiar a condenação de 15 anos de reclusão proferida em primeiro grau de jurisdição, uma vez que a Lei nº 12.850/13 reclama, para tanto, a existência de provas materiais de corroboração que, no caso concreto, existem quanto aos demais réus, mas não quanto a João Vaccari”, observou. 

Na ocasião, o colega Victor Laus pediu vista do processo. Quando o julgamento foi retomado, seguiu o mesmo entendimento: “Para mim, a prova ficou insuficiente. No âmbito desta ação penal, faltou a corroboração da palavra dos colaboradores”.

A decisão foi celebrada pelo advogado Luiz Flávio Borges D’Urso, defensor do ex-dirigente petista. O criminalista lembra que a Lei nº 12.850/13, mencionada pelo desembargador Paulsen, é expressa ao estabelecer, no artigo 16 de seu artigo 4º, que nenhuma sentença condenatória será proferida com fundamento apenas nas declarações de agente colaborador. 

“A lei proíbe condenação baseada exclusivamente em delação premiada, sem que existam provas a confirmar tal delação e foi isto que havia ocorrido neste processo”, disse, por meio de nota.

Tribunal Regional Federal
O TRF da 4ª Região é responsável pela revisão dos casos julgados por Moro (Foto: Sylvio Sirangelo)
Para a senadora Gleisi Hoffmann, nova presidente do PT, a absolvição “mostra o cuidado que deveria ser tomado pelas autoridades antes de aceitar delações premiadas que não são acompanhadas de provas”. Na avaliação da dirigente petista, a decisão de segunda instância também “chama atenção quanto ao uso abusivo de prisões preventivas, que submetem, injustamente, pessoas à privação de liberdade”.

Vaccari está encarcerado desde abril de 2015. Embora tenha sido absolvido neste caso, ele não tem previsão de ser libertado. Em outros quatro processos, foi sentenciado a penas que somam pouco mais de 30 anos de reclusão.

Não é de hoje que os operadores do Direito alertam para os abusos cometidos pela força-tarefa da Lava Jato em Curitiba. Em janeiro de 2016, um manifesto assinado por uma centena de advogados e juristas criticou o uso de prisões cautelares para forçar a celebração de acordos de cooperação, entre eles Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, e Nabor Bulhões.

A despeito dos protestos, os integrantes da chamada República de Curitiba, como ficaram conhecidos os procuradores e o juiz da Lava Jato na primeira instância, jamais sofreram das instâncias superiores qualquer tipo de sanção pelas irregularidades denunciadas.

No máximo, Moro recebeu uma reprimenda do falecido ministro Teori Zavascki, antigo relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, por ter divulgado conversas telefônicas entre Lula e a então presidenta Dilma Rousseff, interceptadas fora do prazo judicial. Para Zavascki, era “descabida a invocação do interesse público” para divulgar conversas de autoridades sem autorização judicial do foro competente – no caso de Dilma, do próprio STF.

Um mês depois, um grupo de 19 advogados ingressou no TRF da 4ª Região contra Moro, questionando não apenas a divulgação dos grampos ilegais, mas também a autorização concedida para interceptar ligações telefônicas de um escritório de advocacia e a “importação de provas da Suíça” sem a autorização dos órgãos competentes. 

Em setembro de 2016, o plenário do TRF da 4ª Região decidiu arquivar a queixa, por 13 votos a 1. Espantosamente, a maioria dos desembargadores da Corte Federal entendeu que os processos da Lava Jato “trazem problemas inéditos e exigem soluções inéditas”. Ou seja, não precisam seguir as mesmas regras dos processos comuns.

Para o desembargador federal aposentado Antônio Albino Ramos de Oliveira, que integrou o TRF da 4ª Região entre 2002 e 2007, nenhum juiz pode condenar um réu sem provas. “Não basta a delação. É preciso haver elementos claros que comprovem a culpa.”

O fato de Vaccari ter sido condenado por Moro, segundo Oliveira, dá-se muitas vezes pela “visão de contexto” que o magistrado pode ter em função de uma série de elementos contidos nos autos. Não por acaso, a função dos tribunais superiores é justamente analisar e eventualmente reformar as decisões oriundas de instâncias inferiores.

Moro está prestes a divulgar a decisão sobre o processo que acusa o ex-presidente Lula por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso do triplex no Guarujá. Oliveira ressalta não conhecer os autos do processo, mas diz que não ficaria surpreso se Moro o absolvesse. 

“Ouço a defesa de Lula afirmar que o imóvel não está em seu nome, mas inclusive é hipotecado na Caixa Econômica Federal. Caso isso seja verdade e não haja outros elementos no processo, o juiz pode absolvê-lo por falta de provas”, diz. “Ficaria surpreso se ele (Moro) decidisse contra a prova. Isso não seria do feitio de juiz algum.”

Fonte: https://www.cartacapital.com.br/revista/959/absolvicao-de-vaccari-mostra-que-delacao-nao-e-prova

Contra reformas de Temer, greve mira transportes e rodovias

A segunda greve geral contra as reformas trabalhista e da Previdência, ambas propostas pelo governo de Michel Temer, convocada para esta sexta-feira 30, atingiu principalmente os setores de transporte em algumas capitais e inúmeras rodovias em todo o País.

Até o fim da manhã, a manifestação parecia ter menos impacto que a realizada em 28 de abril, quando um protesto em Brasília terminou com ataques a prédios de ministérios e o governo convocando o Exército, um pedido desastrado que acabou sendo retirado horas depois.

No Distrito Federal, a greve desta sexta-feira teve adesão de diversas categorias, como metroviários, rodoviários, professores da rede pública e vigilantes. No caso dos transportes, o juiz Renato Borelli, da 20ª Vara Federal Cível do DF, determinou na quinta-feira 29 que, no mínimo, 30% da frota dos dois meios de transporte sejam mantidos em circulação, mas a determinação não foi cumprida. O juiz fixou multa de 2 milhões de reais para cada sindicato que descumprir a ordem.

A Esplanada dos Ministérios foi alvo de uma intensa operação de segurança para evitar atos como o de 28 de abril, no qual edifícios governamentais foram atacados. A Esplanada ficou fechada para o trânsito desde a 0h desta sexta-feira, em uma interdição que começou na Rodoviária do Plano Piloto, sentido Palácio do Planalto. Os policiais militares montaram vários cordões de revista nos acessos de pedestres ao local ea té mesmo os funcionários dos ministérios foram abordados.

Além de 2,6 mil policiais militares na área central da cidade, 400 homens da Força Nacional estão, desde as 5 horas da manhã, fazendo a segurança patrimonial dos ministérios.

Por todo o Brasil, houve trancamento de vias, ou tentativas. Alguns dos alvos foram a BR-101, no Recife e em Sergipe, neste na altura do município de Maruim; a BR-110, na altura do município de Paulo Afonso (BA); a Rodovia do Xisto, entre Curitiba e Araucária (PR); a BR-287, na altura de Santa Maria (RS). Em Santa Catarina, durante ato na BR-101, na altura do município de Navegantes, dois manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MST) foram presos, “de forma arbitrária”, segundo a Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Assim como em Brasília, o setor de transportes se mobilizou em Fortaleza e Belo Horizonte.

Na capital cearense houve paralisação de motoristas e cobradores de ônibus e um ato do sindicato dos trabalhadores da construção civil, que teve início na Praça Portugal, bairro da Aldeota, e terminou na Praça da Bandeira, no centro.

Em Belo Horizonte, os metroviários aderiram à greve e houve muitos protestos na região metropolitana, a maioria organizados pela CUT e pelo Movimento de Luta dos Bairros, Vilas e Favelas (MLB). No interior de Minas Gerais também houve atos em rodovias federais, como a BR-267 (altura de Juiz de Fora), BR-381 (em Itatiaiuçu) e BR-135 (em Montes Claros).

Em São Paulo, transporte não parou

Em São Paulo, sem a adesão do setor de transportes, que liderou o protesto de 28 de abril, ao lado de professores das redes pública e privada, o movimento foi fraco pela manhã na capital.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou, às 9h30, 11 pontos com interdições. Na Avenida São João, a Polícia Militar usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes.

Outro efeito visível da greve na cidade foi a paralisação nos bancos. Diversos bancos não funcionaram nesta sexta-feira 30 porque as entidades filiadas às federações e à Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) decidiram paralisar sua atividades. A Comissão Executiva dos Empregados da Caixa Econômica Federal também aderiu ao movimento.

Na Grande São Paulo e no interior, houve manifestações em rodovias como a via Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP); a Dutra, na altura de Pindamonhagaba; e a Régis Bittencourt, entre Taboão da Serra e Embu das Artes.

O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) bloqueou pela manhã a rodovia Helio Smidt, principal acesso ao Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, mas após negociação com a Polícia Militar decidiu não ocupar todas as faixas da via. O MTST também realizou um ato no saguão do aeroporto de Congonhas, que fica dentro da capital paulista.

 

Rio teve diversos atos simultâneos

No Rio de Janeiro, houve diversos bloqueios em rodovias. A BR-101 tinha dois bloqueios. Em um deles, no quilômetro 484, em Angra dos Reis, por volta das 5h30, cerca de 40 pessoas interditaram totalmente as pistas. No quilômetro 72, em Campos dos Goytacazes, a pista foi interditada às 8h. No quilômetro 320, em Niterói, por volta das 5h50, manifestantes também atearam fogo a objetos na rodovia, mas a Polícia Rodoviária Federal já liberou a via.

Na capital do Rio, um protesto na altura do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) provocou a paralisação da Ponte Rio-Niterói (BR-101). Na Avenida 20 de Janeiro, que dá acesso ao Aeroporto Internacional Tom Jobim/Galeão, uma faixa foi ocupada.

A reforma trabalhista

O texto da reforma trabalhista altera profundamente as relações de trabalho no Brasil, ao regulamentar o trabalho intermitente, acabar com a contribuição sindical, enfraquecer Justiça do Trabalho e fazer acordos coletivos prevalecem sobre a legislação, entre outros pontos.

Ainda que a maior parte da grande imprensa não aborde o impacto negativo das mudanças, como mostrou levantamento da ONG Repórter Brasil, inúmeros especialistas são contrários ao texto.

“Com a reforma trabalhista, o poder do empregado fica reduzido a pó“, disse a CartaCapital Maria Aparecida da Cruz Bridi, professora de Sociologia da Universidade Federal do Paraná. Ricardo Antunes, da Unicamp, referência na sociologia do trabalho, fez duras críticas ao texto em entrevista a CartaCapital. “Na escravidão o trabalhador era vendido. Na terceirização, é alugado“, afirmou ele.

Na terça-feira 27, o Conselho Pleno da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aprovou duas preliminares sobre a reforma nas quais repudia o regime de urgência com que a proposta tramita no Congresso Nacional e denuncia inconstitucionalidades encontradas no projeto de lei.

A reforma da Previdência

A reforma previdenciária também conta com intenso apoio da grande imprensa. Como mostrou outro levantamento da Repórter Brasil, os principais veículos jornalísticos brasileiros tendem a ignorar as críticas às mudanças na Previdência.

Ainda assim, há muitas vozes críticas às propostas do governo. Em entrevista a CartaCapital, a economista Denise Gentil, da UFRJ, lembrou que “é o próprio governo que provoca o déficit da Previdência” ao não cobrar sonegadores e conceder renúncias fiscais.

A economista Joana Mostafa, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), destacou que a “reforma da Previdência é muito perversa com as mulheres“. Eduardo Fagnani, professor do Instituto de Economia da Unicamp e colunista de CartaCapital, destacou que em um cenário de baixo crescimento, a explosiva combinação das mudanças trabalhistas e previdenciárias derrubará as receitas do INSS.

Fonte: https://www.cartacapital.com.br/politica/contra-reformas-de-temer-greve-mira-transportes-e-rodovias

Presidência faz ‘corredor verde’ no Jaburu para esconder visitantes

Acossado pela denúncia de corrupção da PGR e pela possibilidade de deixar mais cedo o comando do país, Michel Temer tem se encastelado nos palácios de Brasília reservados ao presidente da República. E para evitar que a imprensa lance seus olhares sobre o entra e sai de visitantes do Palácio do Jaburu – residência oficial da Vice-Presidência –, o governo mandou instalar na última semana um corredor de plantas em uma das laterais da estrutura coberta que liga a área de desembarque de carros até a entrada principal do palácio.

Nas duas imagens acima, dos cinegrafistas Rafael Franzoni e Edson Cordeiro, da TV Globo, é possível comparar como era a visão da área de entrada do Jaburu sem o corredor de plantas e como ficou agora com o paredão de plantas. Já no vídeo abaixo é possível perceber como ficou difícil de identificar quem ingressa na residência oficial.

Após um bate e volta a São Paulo neste sábado (1º) para tratar com o criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira da estratégia para barrar a denúncia de corrupção passiva no Congresso Nacional, Temer voltou no mesmo dia para a capital federal. Neste domingo (2), ele não teve agenda oficial.

O “corredor verde” providenciado pelo governo encobriu boa parte da visão das lentes de fotógrafos e cinegrafistas que fazem plantão em frente ao Jaburu para monitorar quem entra na residência oficial. Agora, é possível apenas, de relance, olhar os visitantes no momento em que eles desembarcam dos veículos. Os passos que eles dão em direção ao palácio ficaram encobertos pelas plantas ornamentais.

 

Neste domingo, houve uma pequena movimentação na residência oficial, mas não foi possível identificar a identidade dos visitantes em razão do paredão verde. A assessoria do Planalto não informou quem eram as pessoas que foram ao Jaburu neste domingo.

Foi no mesmo Palácio do Jaburu que Temer recebeu em março, na calada da noite e sem registro na agenda oficial, o empresário Joesley Batista, um dos donos do frigorífico JBS.

Na ocasião, Joesley gravou a conversa com o presidente na qual revelou crimes e, segundo o Ministério Público, obteve aval para continuar pagando mesada ao deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em Curitiba pela Operação Lava Jato, para evitar que ele fechasse delação premiada com os procuradores. Depois, o empresário entregou a gravação à Procuradoria Geral da República para negociar uma colaboração premiada.

Temer mora no Palácio do Jaburu desde janeiro de 2011, quando assumiu a Vice-Presidência. Em março deste ano, após uma brevíssima estadia no Palácio da Alvorada, ele e a família desistiram de morar na residência oficial da Presidência alegando desconforto com os imensos salões projetados por Oscar Niemayer para a casa do presidente da República.

Ao longo dos sete anos em que o peemedebista vive no Jaburu, esta é a primeira vez que o corredor de acesso ao palácio é encoberto por plantas.

Fonte: http://g1.globo.com/politica/blog/matheus-leitao/post/presidencia-faz-corredor-verde-no-jaburu-para-esconder-visitantes.html

Um terço dos deputados que declaram voto a favor de Temer responde a acusações criminais

Denunciado por corrupção pela Procuradoria-Geral da República, o presidente Michel Temer (PMDB) tem a promessa de apoio de quem conhece bem os meandros do Ministério Público e da Justiça. Um em cada três dos 61 deputados (veja a lista abaixo) que já declararam publicamente que votarão contra o recebimento da denúncia por corrupção passiva contra o presidente no Supremo Tribunal Federal responde a acusações criminais na própria corte.

Levantamento do Congresso em Foco, feito com base nas declarações de voto publicadas neste domingo (2) pelos jornais Folha de S.Paulo O Globo, indica que pelo menos 23 deputados que apoiam abertamente o presidente são investigados no Supremo por crimes como corrupção, contra a Lei de Licitações, eleitorais, falsidade ideológica e formação de quadrilha, entre outros.

Veja a lista dos investigados

Entre eles, ao menos oito já são réus – condição da qual Temer tenta escapar. Só o deputado Roberto Góes (PDT-AP) acumula dez ações penais e oito inquéritos. No momento, nenhum parlamentar coleciona mais acusações criminais do que ele no Supremo. Na lista dos parlamentares que dizem não ver indícios de que o peemedebista cometeu crime estão pelo menos 12 investigados na Operação Lava Jato. Desses, dois já tiveram denúncia aceita pelo Supremo e são réus: Aníbal Gomes (PMDB-CE) e Nelson Meurer (PP-PR).

Cabe ao plenário da Câmara dar aval ou não para que o STF possa aceitar a denúncia e abrir processo contra o presidente. Para isso, é necessário o apoio de pelo menos 342 deputados. Nesse caso, ele terá de se afastar da Presidência por 180 dias até ser julgado. O presidente é acusado de ser o destinatário da mala com R$ 500 mil de propina da JBS, entregue ao ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), além da promessa de R$ 38 milhões em vantagens indevidas.

Veja a relação dos deputados que aparecem em uma ou nas duas listas:

Aguinaldo Ribeiro (PP-PB)
Alceu Moreira (PMDB-RS)
Altineu Côrtes (PMDB-RJ)
André Amaral (PMDB-PB)
André Moura (PSC-SE)
Aníbal Gomes (PMDB-CE)
Arthur Oliveira Maia (PPS-BA)
Baleia Rossi (PMDB-SP)
Benito Gama (PTB-BA)
Beto Mansur (PRB-SP)
Bilac Pinto (PR-MG)
Bonifácio de Andrada (PSDB-MG)
Carlos Bezerra (PMDB-MT)
Carlos Marun (PMDB-MS)
Carlos Melles (DEM-MG)
Cleber Verde (PRB-MA)
Darcísio Perondi (PMDB- RS)
Domingos Sávio (PSDB-MG)
Elcione Barbalho (PMDB-PA)
Evandro Roman (PSD-PR)
Ezequiel Fonseca (PP-RJ)
Fábio Ramalho (PMDB-MG)
Fausto Pinato (PP-SP)
Fernando Monteiro (PP-PE)
Flaviano Melo (PMDB-AC)
Giuseppe Vecci (PSDB-GO)
Guilherme Coelho (PSD-PE)
Hildo Rocha (PMDB-MA)
Hiran Gonçalves (PP-RR)
Hugo Motta (PMDB-PB)
Jéssica Sales (PMDB-AC)
Jhonatan de Jesus (PRB-RR)
José Priante (PMDB-PA)
José Rocha (PR-BA)
Julio Lopes (PP-RJ)
Junior Marreca (PEN-MA)
Lucio Vieira Lima (PMDB-BA)
Luiz Carlos Heinze (PP-RS)
Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR)
Maia Filho (PP-PI)
Marcelo Squassoni (PRB-SP)
Marcos Montes (PSD-MG)
Mauro Lopes (PMDB-MG)
Mauro Pereira (PMDB-RS)
Milton Monti (PR-SP)
Nelson Marquezelli (PTB-SP)
Nelson Meurer (PP-PR)
Nelson Padovani (PSDB-PR)
Nivaldo Albuquerque (PRP-AL)
Paulo Pereira da Silva (SD-SP)
Pedro Paulo (PMDB-RJ)
Professor Victorio Galli (PSC-MT)
Roberto Góes (PDT-AP)
Sabino Castelo Branco (PTB-AM)
Sergio Souza (PMDB-PR)
Simão Sessim (PP-RJ)
Takayama (PSC- PR)
Toninho Wandscheer (Pros-PR)
Valdir Colatto (PMDB-SC)
Wilson Beserra (PMDB-RJ)
Wladimir Costa (SD-PA)

Veja o resultado da sondagem dos jornais:

O Globo
44 contra a denúncia
121 a favor
127 não quiseram responder
74 indecisos

Folha de S.Paulo
45 contra a denúncia
130 a favor
112 indecisos
57 não quiseram responder

Fonte: http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/um-terco-dos-deputados-que-declaram-voto-a-favor-de-temer-responde-a-acusacoes-criminais/